Nelson Azevedo fala sobre as prioridades econômicas para 2024

Vice da Fieam aponta adaptação da legislação como “vital”

Leia a entrevista exclusiva para o ÚNICO

Juscelino Taketomi
Especial para o ÚNICO

O vice-presidente da FIEAM (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, falou ao Portal ÚNICO, nesta terça-feira (2), sobre as perspectivas da economia do Estado para o ano que se inicia.

Ele foca a Zona Franca de Manaus e defende a necessidade de infraestrutura para o incremento da bioeconomia. Confira a entrevista:

ÚNICO – Em sua opinião, quais são as prioridades da economia do Amazonas neste ano de 2024?

Nelson Azevedo – Certamente, a maior tarefa é reunir e preparar estudos de adaptação às mudanças na legislação. Trata-se de uma prioridade vital. Meus avós diziam que o Demônio mora nos detalhes.

Acompanhar de perto a legislação complementar da reforma tributária é essencial para preservar a competitividade, especialmente na Zona Franca de Manaus. Depois de quase 60 anos, o preço da liberdade e a busca da competitividade são a eterna vigilância.

ÚNICO – E quanto à infraestrutura?

Nelson Azevedo – A infraestrutura é um ponto-chave. Precisamos nos preparar para sustentar a independência fiscal do nosso programa de desenvolvimento regional, garantindo transportes adequados, fontes alternativas de energia e uma comunicação eficiente, fatores fundamentais para atrair investidores.

ÚNICO – Como o senhor vê a questão da diversificação econômica?

Nelson Azevedo – A diversificação é essencial. Buscamos avançar na direção da bioeconomia, exploração mineral sustentável e adensamento do polo industrial. Isso requer investimentos robustos em qualificação de recursos humanos para impulsionar o desenvolvimento de novas modulações econômicas.

Com certeza, podemos desenvolver um setor fabril diversificado, sustentável e com um poder de contribuição robusto em relação aos cofres nacionais.

ÚNICO – Quanto aos recursos humanos, como os empresários pretendem investir nesse aspecto?

Nelson Azevedo – Estamos comprometidos em investir na qualificação de recursos humanos, assegurando que a região absorva a riqueza gerada pelas indústrias locais. Isso é vital para o desenvolvimento sustentável a longo prazo. Todos os grandes avanços civilizatórios e tecnológicos foram conquistados com investimentos maciços em ciência, tecnologia e inovação

O Brasil está envelhecendo e corre o risco de se tornar um país que poderia se tornar uma nação rica no sentido mais nobre do termo. No entanto, tirando algumas ilhas de desenvolvimento, a violência, a pobreza e a exclusão social assustam.

ÚNICO – Durante a pandemia da Covid-19, as entidades de classe da indústria se reuniram para atender ao súbito agravamento da vulnerabilidade social. Essa paisagem continua e precisa ser superada. O que o senhor pensa a respeito?

Nelson Azevedo – As empresas do Pólo Industrial de Manaus geram 500.000 empregos entre diretos e indiretos e cumprem com folga sua responsabilidade social. Entretanto, a riqueza aqui gerada deveria ser legalmente aplicada na região. E não é. E aquelas que são geradas e recolhidas no âmbito estadual historicamente têm sido usadas para custeio da máquina pública.

ÚNICO – Nesse sentido, o que pode ser feito?

Nelson Azevedo – De certa forma, este é um dos problemas estruturais do nosso tecido social que precisa de mudanças. Nossa obrigação é gerar recursos, mas também apontar se eles são aplicados ou não conforme a lei.

Manaus é uma das capitais mais ricas do país e também aquela que mais precisa de atenção social, econômica, ambiental, atenção à segurança e àhabitação. Estamos cercados de favelas. Isso é inaceitável à luz da riqueza que aqui é gerada e recolhida aos cofres públicos.

ÚNICO – Qual mensagem do senhor para a comunidade empresarial e a população do Amazonas diante desses desafios?

Nelson Azevedo – Encarem esses desafios com determinação. A adaptação estratégica às mudanças, o fortalecimento da infraestrutura e a diversificação econômica são fundamentais.

Todos precisamos trabalhar para acompanhar diuturnamente a aplicação dos recursos destinados à sociedade. Juntos, construiremos um futuro competitivo e próspero para o Amazonas.


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