Nelson Azevedo defende BNDES Verde para a Amazônia

Empresário fala sobre o novo tipo de indústria no Brasil

O papel da Zona Franca de Manaus no cenário nacional

Por Juscelino Taketomi, especial para o ÚNICO

A exemplo do BNDES Azul, lançado recentemente pelo Governo Federal com foco no planejamento Espacial Marinho (PEM) da costa brasileira, o vice-presidente da FIEAM (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, defende o BNDES Verde com o objetivo de corrigir gargalos históricos da infraestrutura hidroviária amazônica.
Nesta entrevista, o líder empresarial também manifesta suas impressões sobre o programa Nova Indústria Brasil e seus reflexos positivos na Zona Franca de Manaus.

ÚNICO – Qual a relação entre o programa Nova Indústria Brasil e a Zona Franca de Manaus?
Nelson Azevedo – A relação é de estreita coerência. O acolhimento do atual governo ao nosso programa de desenvolvimento regional e a participação ativa do ministro da Indústria e Comércio, vice-presidente Geraldo Alckmin, inserindo a ZFM desde a transição em seu plano de governo, são fundamentais. Estamos integrados às principais diretrizes administrativas do governo.

ÚNICO – E qual é a sua opinião sobre as prioridades da nova política industrial lançada pelo Governo Federal?
Nelson Azevedo – Temos um posicionamento muito positivo. O programa Nova Indústria Brasil é uma política realista e viável, estruturada para enfrentar desafios atuais e revitalizar a indústria nacional.

ÚNICO – Pode detalhar um pouco mais sobre os pontos principais dessa política?
Nelson Azevedo – Claro. Primeiramente, ela visa a revitalização da indústria, incentivando investimentos em tecnologia e inovação. É uma abordagem holística, focando a indústria e a economia como um todo, incluindo aumento da produtividade e digitalização. Também há um paralelo com políticas industriais de grandes economias, focando em industrialização verde.

ÚNICO – O que diz o programa sobre o financiamento e impacto fiscal?
Nelson Azevedo – O programa prevê financiamentos de cerca de R$ 300 bilhões até 2026, com impacto fiscal zero. Isso indica uma gestão financeira prudente, sem aumentar os gastos públicos além do orçamento.

ÚNICO – Quais são as outras facetas dessa política?

Nelson Azevedo – Há um incentivo forte à manufatura e agregação de valor visando o desenvolvimento de manufaturas e agregar valor às commodities. Também destaco a importância do Plano Mais Produção, oferecendo linhas de crédito acessíveis, e o foco em inovação e tecnologia.

ÚNICO – Como o senhor vê a Zona Franca de Manaus dentro deste contexto?
Nelson Azevedo – A Zona Franca de Manaus é um ator destacado na política industrial brasileira e merece confiança e apoio em relação ao programa Nova Indústria Brasil, pois é um passo importante para o desenvolvimento industrial do país, sem comprometer a estabilidade fiscal. Nosso propósito é integrar o sumário de nossa planta industrial, nossa capacidade instalada e nossa vocação para diversificar a economia na direção da Bioeconomia.

ÚNICO – Dr. Nelson, recentemente surgiu a proposta do BNDES Azul, para revitalizar a infraestrutura de transportes no Brasil, na costa brasileira. Por que não propor o BNDES Verde para a Amazônia com foco na sustentabilidade ? O que o senhor acha dessa sugestão ?
Nelson Azevedo – Entendo ser uma resposta muito necessária aos desafios logísticos enfrentados pela Amazônia, especialmente após a vazante histórica que secou rios e afetou a cabotagem. O BNDES Verde, inspirado no sucesso do BNDES Azul, pode ser uma iniciativa estratégica para criar uma rede de transportes resiliente e ambientalmente responsável na região.

ÚNICO – Como o senhor analisaria o papel do BNDES Verde na infraestrutura hidroviária?
Nelson Azevedo: É uma abordagem focada e sustentável. Priorizando a dragagem e o balizamento dos rios, o BNDES Verde iria não apenas garantir a navegabilidade, mas também minimizar impactos ambientais. O investimento em tecnologias sustentáveis e práticas de gestão ambiental, incluindo o uso de combustíveis renováveis, está em linha com a tendência global de descarbonização.

ÚNICO – Quais seriam os incentivos que o BNDES Verde ofereceria para projetos de inovação na região?
Nelson Azevedo – O BNDES Verde pode oferecer incentivos financeiros para projetos que priorizem inovação e sustentabilidade no setor de transportes da Amazônia. Especialmente projetos que demonstrem compromisso com a responsabilidade socioambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa seriam incentivados.

ÚNICO – Essa iniciativa, então, resultaria em impactos econômicos e sociais muito positivos.
Nelson Azevedo – Sim. A revitalização da infraestrutura de transportes na Amazônia não apenas melhora a logística, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico local. Ao investir em infraestrutura sustentável, o BNDES Verde também poderá contribuir significativamente para a preservação do ecossistema amazônico, promovendo um desenvolvimento equilibrado


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