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Não olhe para cima: vamos todos morrer

Sim! Assisti o novo filme do diretor Adam Mckay, onde dois astrônomos comuns descobrem que em poucos meses um grande meteorito destruirá o planeta Terra e eles alertam a humanidade por meio das mídias sociais, mas ninguém liga.

Tem muita gente comentando sobre o filme e análises de todos os tipos, então eu não preciso fazer isto aqui e como não sou crítica de cinema e nem nada, vou me recolher a única e persistente observação, sobre a frase dita mais de mil vezes no filme: não olhe para cima; vamos todos morrer!

É fim de ano. Um ciclo se fecha e tudo que aconteceu na minha vida ou na sua, aconteceu e foi o que deu em 2021. Agora… quando todos vibram positivamente na esperança de que 2022 seja melhor, aqui vamos falar de morte!!!

Abordar o tema morte iminente de um único individuo é mais fácil do que gritar aos quatro cantos da terra que vamos todos morrer. Se a morte é na casa do vizinho, você respira aliviado. Alguém conhece essa sensação? Teve pandemia,
e, graças a Deus, ninguém de casa morreu. Respira e segue vivendo a vida numa boa e, achando que você é um ser justo e correto porque Deus, te protegeu, te ama…ah! Como você é especial, não é mesmo?

Está tudo bem se for assim!

Mas é importante saber que nenhum de nós é especial o suficiente para viver eternamente e que apesar de todo autocuidado, alguns com muito dinheiro, fama e poder conquistado neste plano terrestre, podemos e vamos todos morrer.

E agora? Eu meditei seriamente sobre isso.

Lembrei dos monges quando falam da impermanência da vida. O Buda dizia que, de todas as estações para arar a terra, o outono é a melhor. De todos os tipos de combustível para o fogo, o estrume da vaca é o melhor e, de todos os tipos de consciência, a consciência de que vamos todos morrer é a melhor.

A morte é certa, mas quando ela irá acontecer é incerta. Se realmente enfrentamos as coisas com coragem, ainda assim não sabemos o que virá primeiro – o amanhã ou a morte.
O ano de 2022 está bem próximo e não podemos ter certeza absoluta de que o velho vai morrer primeiro e de que o jovem permanecerá. Então, se desfazendo de toda ilusão, a coisa mais certa a fazer é se esperar pelo melhor e se preparar para o pior. Se caso o pior não aconteça, então tudo está bem! E se o pior acontecer, não se preocupe. Vamos todos morrer!

Eu fiquei realmente pensando nisso, porque verdade seja dita: todo ser vivo tem medo da morte. No filme da plataforma streming, ninguém acreditava que ia morrer. Os dois astrônomos faziam papel de bobos ou eram ridicularizados pela mídia, porque, morrer não estava nos planos de ninguém. Pense!

O mais interessante é que somos assim. A morte é uma senhora desconhecida. Na verdade, todos sabemos que a morte é certa, mas ninguém quer de forma nenhuma morrer. E o filme, peculiar com suas tiradas, deixa isso bem claro e de forma pertinente. Ninguém quer aceitar que vai morrer.

Sabe, todos os dias ouvimos falar da morte nos jornais ou sobre a morte de outra qualquer pessoa. Às vezes sentimos a perda, às vezes ficamos aliviados, porque de certa forma essa morte não é minha e nem dos meus.

Outra lição do filme: somos egoístas.

Quando achamos que a morte é um dia que nunca vai acontecer tão cedo, adiamos nossos planos sobre ser saudável, ser mais espiritualizado, ser mais compassivo e altruísta pensando que temos tempo suficiente no futuro, enquanto sabemos que quando a hora da morte chega, nenhuma circunstância pode evita-la.

Meditar sobre a morte, para mim, foi a grande sacada do filme.

Passo para vocês?

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