Mulheres querem mais espaço também na Ciência

Encontro sobre o tema vai ser realizado na Universidade do Rio de Janeiro

Toda a programação será transmitida pelo canal do MCTI no YouTube

Brasília (ÚNICO) – As mulheres são maioria nas universidades e nas bolsas de iniciação científica, mas só representam 35% das bolsas de produtividade. Esse é um dos assuntos a ser debatido hoje (15) e amanhã (16) na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com transmissão pelo canal do MCTI no YouTube (youtube.com/MCTI).

Essa realidade foi destacada pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante o lançamento do “Relatório Agenda Transversal – Mulheres”.

O MCTI vai realizar uma conferência temática com o tema “Mais meninas e mulheres nas ciências: por uma agenda de equidade e interseccionalidade”.

O encontro irá discutir pautas como o impacto da construção de estereótipos de gênero e raças nas carreiras científicas, do assédio e a baixa representação das mulheres em espaços de poder. O evento realizará grupos de trabalho sobre temas que incidem sobre as meninas e mulheres no âmbito da ciência.

Espaço democrático

Os dois espaços de diálogo que acontecerão na UERJ integram o calendário da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, o mais importante e democrático evento voltado ao debate das políticas públicas do setor.
Realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o encontro será dos dias 4 a 6 de junho, em Brasília (DF), e terá o tema “Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido”.

A 5CNCTI tem caráter consultivo e volta a ser organizada depois de um hiato de 14 anos. Seu objetivo é discutir junto à sociedade as necessidades na área de C&T e propor recomendações para a elaboração de uma nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) que deverá ser seguida pelos próximos anos (2024-2030).

A nova estratégia substituirá a de 2016-2023, que durante o evento, também terá seus programas, planos e resultados analisados.

Avanço das mulheres

Como explica a coordenadora da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica da UFPR, Regiane Ribeiro, que faz parte do comitê de mobilização do evento, os participantes irão elaborar encaminhamentos para promover a equidade de gênero e a maior participação e protagonismo de meninas e mulheres na ciência.

Duas das discussões, por exemplo, serão sobre “Impacto da construção de estereótipos de gênero e raça na carreira de mulheres cientistas” e “Baixa representação das mulheres em espaços de poder”.

“Somente com uma discussão ampla e diversa podemos pensar sobre quais os caminhos mais eficazes para que tenhamos não apenas mais mulheres na ciência, mas pesquisadoras e cientistas com reais condições de estudo e trabalho. Até porque sabemos que a questão sobre a concentração de bolsas de produtividade é só um dos desafios enfrentados pelas mulheres nesse contexto. A conferência ampliará esse debate para outros eixos também imprescindíveis”, analisa Regiane.

As bolsas de produtividade (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são concedidas a pesquisadores ou pesquisadoras que se destacam em suas respectivas áreas de conhecimento. Dos 16.108 bolsistas dessa modalidade no país, apenas 5.642 são mulheres (35,6%) e os 10.208 restantes (66,4%) são homens, a partir dos dados registrados até julho de 2023, levantados pelo Parent in Science da base do CNPq por meio da plataforma Fala.br.


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