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Mineração Sustentável é possível?

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Mulheres e economia

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Estudos realizados pelas Nações Unidas em parceria com o Banco Mundial, o Monitor do Empreendedorismo Global, a Deloitte e a Ernst & Young apontam as mulheres como grandes motores da economia, enquanto ocupam cargos de gestão, de liderança ou como consumidoras e empreendedoras (WE Connect International, 2023).

Investir em mulheres pode dar um grande estímulo para o crescimento econômico, conhecido por “dividendo de gênero” e quando elas são o foco de decisões empresariais, comunidades crescem em seu redor (2023).

No mês dedicado à mulher, teremos merecidas homenagens a esta figura tão presente na vida de todos e que contribui para gerar impacto positivo sobre a economia através dos seus hábitos, do consumo, nas decisões de compra, do seu protagonismo, da forma como empreende e da sua liderança no mercado em todas as áreas de atuação.

À nível internacional, levantou-se números relevantes sobre a importância da mulher para a economia internacional cabendo a nós os seguintes destaques: no mundo, as mulheres desempenham 66% de todo o trabalho, contribuem para produção de 50% de toda a comida, são donas de 1 a 2% das propriedades, mas recebem apenas 10% do rendimento; globalmente, as mulheres representam 49,6% da população mundial e apenas 40,8% da mão de obra do setor formal; as mulheres dominam o mercado global, controlando os US$30 trilhões de gastos em consumo.

O Monitor do Empreendedorismo Global (2022), chama a atenção para os gargalos a serem superados pelas mulheres: fora do setor agrícola, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento, as mulheres continuam recebendo menos de 78% do salário pago a um homem pelo mesmo trabalho; mulheres e meninas sofrem desproporcionalmente do fardo da pobreza extrema – constituem 70% dos 1.5 bilhões de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia.

Complementarmente, alerta que a redução da lacuna existente entre a taxa de emprego masculina e feminina teria enormes implicações na economia global, aumentando o PIB dos EUA em mais de 9%, da Zona do Euro em mais de 13% e do Japão em mais de 16% (2022).

Existem aproximadamente 187 milhões de mulheres empreendedoras a nível mundial, que detêm pelo menos 32% a 39% de todas as empresas privadas na economia formal. Mais empreendedoras mulheres que homens introduzem inovação (novos produtos e serviços) nos países desenvolvidos (WE Connect International, 2023).

Em relação aos dados nacionais, o estudo do IBGE (2023), intitulado: Estatística de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil destaca que elas são a maioria da população brasileira (51,1%) e estão presentes em 48,7% dos lares respondem como “chefe de família” ou com maior participação na renda familiar; as mulheres respondem por 54,5% do nível de participação na força de trabalho. No mercado de trabalho, as mulheres sem filhos são as que mais ocupam cargos 67,2% em relação às mulheres com filhos, 54,6%.

No Brasil, a força de trabalho feminina é mais escolarizada que a masculina, mas as desigualdades salariais não acompanham esta realidade, temos: 29,7% das mulheres entre 18 a 24 anos com escolaridade em nível superior em relação a 21,5% dos homens. Apesar da elevada escolarização, elas lideram os índices de desemprego no país, 14,9% dos brasileiros em idade produtiva e que estão desempregadas são mulheres, os homens representam 12%.

Chamamos a atenção para o percentual de mulheres docentes no ensino superior: se levarmos em consideração o recorte histórico que vai de 2003 a 2019, o avanço percentual foi de 43,2% para 46,8%. Ademais, o número de discentes mulheres também vem apresentando avanço nos últimos anos e em alguns cursos elas são a maioria.

Acerca do empreendedorismo feminino que na maioria das vezes chega a partir dos desafios impostos pela maternidade e da necessidade de conciliar a dupla jornada de mãe e trabalhadora. Na maioria das vezes, para as empreendedoras a maternidade acaba sendo uma força singular em busca de melhores condições de trabalho, oportunidades e flexibilidade para acompanhar o desenvolvimento e a educação dos filhos.

Em suma, cabe a nós o eterno reconhecimento da relevância da mulher para as famílias, na educação dos filhos, como empreendedora e para a economia como um todo não esquecendo que a realidade ainda é de desigualdade, preconceito, intolerância e de falta de oportunidades.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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