MPF monitora frigoríficos do Amazonas para controlar gado criado em áreas desmatadas

Procuradoria da República aperta o cerco contra quem contribui com desmatamento

Acre, Pará e Rondônia também estão sendo investigados

Alessandra Luppo
Da redação do ÚNICO

Dez frigoríficos do Amazonas foram investigados pelo Ministério Público Federal, por ordem do procurador da República, Ricardo Negrini, que coordena equipes de investigação em torno de empresas que contribuem para o desmatamento na Amazônia. “As empresas que não se adequam e não fazem auditorias estão prejudicando a Amazônia. São empresas que estimulam uma série de irregularidades e de crimes, e o combate a esse tipo de atuação é o alvo principal de novas ações que o MPF vai ajuizar”, explicou ele.

Termo de Ajustamento

A iniciativa é parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre empresas e o MPF, em 2018. Pelo acordo, todos os signatários precisam contratar auditoria para acompanhar o rastreamento dos bovinos abatidos.O objetivo é evitar o comércio de carne de animais criados em áreas desmatadas. Até pouco tempo, apenas os bovinos do Pará eram monitorados. Agora, entraram na lista todos os estados da Amazônia.

Aprovados

Segundo os primeiros resultados do MPF, das dez empresas do Amazonas que passaram por auditoria, duas apresentaram 100% de conformidade. As demais variaram de 86% a 99%.
Em Mato Grosso, dos três frigoríficos analisados, dois tiveram 100% de conformidade e têm várias unidades no estado. Um deles alcançou 98% de conformidade.

Em Rondônia, uma empresa também apresentou 100% de respeito às normas socioambientais envolvendo os animais abatidos. E outra 88%.

No Acre, três frigoríficos foram auditados, com percentual de conformidade variando de 90% a 97%.

No Pará, onde outros quatro ciclos de auditorias já haviam sido realizados, a aferição deste ano abrangeu 78% do número de animais comercializados no estado. O que representa 11 pontos percentuais a mais que no ciclo de auditorias anterior.

Ações na Justiça

Como próximas etapas, o MPF anunciou que dará continuidade aos trabalhos para a execução dos TACs das empresas signatárias não colaboradoras e para o ajuizamento de ações contra empresas que não assinaram o TAC.

Também estão previstos o envio de recomendações aos varejistas e instituições financeiras e a realização de trabalho conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fiscalização prioritária das empresas sem auditoria.

Consumidor internacional

As informações permitem ao público nacional e internacional saber quais são as empresas em toda a Amazônia brasileira que indicaram estar abertas à análise de suas compras de matéria-prima, para garantir o respeito à legislação socioambiental.

Com informações da CNN

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