Lula vai à Guiana falar sobre crise com Venezuela

Os dois países fazem fronteira com o Amazonas e Roraima

Governos assinaram tratado de não-agressão

Fábio Rodrigues
Especial para o ÚNICO

Brasília (ÚNICO) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá com o chefe de governo da Guiana, Irfaan Ali, na próxima quinta-feira (29), em Georgetown, capital do país vizinho, para debater a agenda bilateral.

A viagem de Lula tem como principal compromisso a participação, como convidado especial, do encerramento da 46ª Cúpula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom), mas o encontro do anfitrião com o presidente brasileiro está confirmado.

Um dos assuntos que eles deverão discutir é a crise entre Guiana e Venezuela pelo território de Essequibo, disputado pelos dois países

“Temos boas relações com a Venezuela, boas relações com a Guiana. O presidente Lula está indo porque foi convidado para se reaproximar da Caricom. Agora, ele estando lá, não vai perder a oportunidade de se reunir com o presidente Ali e apresentar uma agenda bilateral. Talvez ele felicite o presidente Ali por ter aceitado sentar-se com a Venezuela para tentar resolver a crise”, comentou a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina do Ministério das Relações Exteriores.

Interesses regionais

O Brasil tem interesse na solução negociada desse conflito, porque dois estados – Amazonas e Roraima – fazem fronteira com os dois países e com a área que está em disputa, desde que a Venezuela decidiu “anexar” um pedaço da Guiana ao seu território, em dezembro do ano passado.

O governo venezuelano também autorizou a exploração de recursos naturais na região e nomeou um governador militar para a área. Foi o estopim para que as tensões entre os dois países aumentassem desde então.

Tropas militares

O governo brasileiro chegou a reforçar a presença das tropas militares em Roraima, que faz fronteira com os dois países, e vem defendendo a resolução da controvérsia entre as duas nações por meio de um diálogo mediado. O Brasil é o único país que faz fronteira simultânea com Guiana e Venezuela, e um eventual conflito militar poderia ameaçar parte do território brasileiro em Roraima e também do Amazonas, por onde as tropas venezuelanas teria que passar.


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