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Os jornais da revolução

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Jubileu de Prata (final)

Teatro Amazonas

Quando pensávamos que as difíceis travessias que o Festival Amazonas de Ópera precisaria ultrapassar para consolidar-se estavam vencidas, após três sucessões de governo, períodos em ele cresceu e frutificou, fomos surpreendidos com clima adverso à sua realização por parte da Administração, justificado por dificuldades financeiras que impediram a sua realização e a do Festival de Parintins. Vivi, pessoalmente, a decisão mais difícil em todo o largo período em que fui secretário de Estado: a de admitir, contra a vontade, decisão de governo que poderia ferir de morte a política pública de cultura.

Era preciso construir seu restabelecimento, imediatamente, e crescer em outras ações: ampliou-se o Concerto de Natal (O Glorioso); instalou-se o Liceu Claudio Santoro em Envira e iniciou-se a preparação para Borba e Itacoatiara; ampliou-se a troca de experiências com artistas e técnicos da capital e interior, medidas valorizadas pelo governador José Melo. No ano seguinte o festival retornou, vencendo a descrença de críticos. Fora de época, deu-se outra sucessão e novo governador, o deputado David Almeida, que deu valor ao trabalho em cultura, e, pouco depois, eleições para chefe do Poder Executivo.

Nesse ponto cabe curto retrospecto artístico do Festival, com a qualidade exponencial da Amazonas Filarmônica e o prestígio do Corpo de Dança e de alunos e instrutores do Claudio Santoro e da UEA, depois de anos de sucesso, qualidade, audácia, popularidade, composição de quadros locais, valorização de artistas brasileiros e consolidação crescente de público. Mais uma vez corre-se o risco da omissão, para a qual roga-se compreensão. Realces devidos ao Coral do Amazonas que atuou em todas as edições e ao dedicado e competente maestro Zacarias Fernandes; ao maestro Otávio Simões – de extrema dedicação, competência, modéstia e lhaneza. Do sucesso de Carmen, de Bizet, em 1997 e da Viúva Alegre (1998) à audaciosa montagem do Anel, de Richard Wagner e outros sucessos de palco, o Festival ostenta demonstrações de prestígio com o brilho de Eliane Coelho, Juremir Vieira, Inácio Di Nonno, Paulo Szot, Cláudia Riccitelli, Celine Imbert, Rosana Lamosa, Pepes do Valle, Eduardo Alvarez, Maria Russo, Fernando Portari, Alan Woodrow, Enrique Bravo, Sergey Lyadov, Humberto Vieira, Josenor Rocha, Leonardo Leiva,  Denis O Neill, Denise de Freitas, Elaine Martorano, Eli Soares, Tamar Freitas, Cristiano Silva, Gary Simpsom,  Carol Martins, Eiko Sena, Elaine Monteiro, Fabiano Cardoso, Miriam Abad, Marinete Negrão, Dhijana Nobre, Tatiana Carlos, Daniella Carvalho, Thalita Azevedo, Maria Gallevi, Sávio Sperandio, Rebeca Leitão, Moisés Rodrigues, Homero Velho, Raquel de Queiroz… e outros belos talentos.     

            Foi este caminho de experiências bem-sucedidas e alguns atropelos que fortificou o conceito do Festival e os que o carregam no peito e na raça, quando preciso, que permitiu a ultrapassagem da substituição de grande parte da equipe da Secretaria de Cultura, em fins de 2017, no retorno de Amazonino Mendes ao governo. Insegurança, incerteza, temor, desarranjos e dúvidas se somaram a outras questões complexas. Passou o tempo, ainda que deixando sequelas, algumas graves e irrecuperáveis, sobretudo o desmonte de equipe técnica, profissional e entusiasta e a perda de bens e prestígio.

O período seguinte, de Wilson Lima, se anunciou tranquilizador pela nomeação de secretário de Cultura familiarizado com as ações do órgão e partícipe efetivo do Festival. Aplacou o ânimo das equipes remanescentes de sua origem e soube acolher outros profissionais. Não que as dificuldades não existam, mas conseguem ser superadas e o Festival se mantém no topo dos grandes acontecimentos, voltou a crescer, ampliou relações internacionais e segue trajetória natural. E se fixou com equipe de produção e criação consolidada  e de qualidade, sem fugir aos princípios que nortearam a sua criação e sem cair no vazio e na mesmice.

Com gestão político-administrativa que tenha visão de conjunto, respeito à sua história verdadeira, renovação natural de valores que se tem feito e se há de fazer ao longo do tempo, direção artística do mesmo quilate o Festival Amazonas de Ópera se manterá a caminho do Jubileu de Ouro tendo o Teatro Amazonas como o principal cenário. 


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