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O herói da revolução

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Instalação do Instituto

Foi a 13 de maio de 1917, poucos dias depois das reuniões preparatórias e de fundação, que foi realizada a sessão solene especial de instalação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas sob a liderança de Bernardo Azevedo da Silva Ramos, Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, Miranda Simões, Agnello Bittencourt e Vivaldo Lima, este que foi o grande idealizador da sua criação.

Ocasião de gala muito particular em uma cidade abalada pela grave crise econômica provocada pela queda da exportação da borracha, que sofria com as repercussões da Primeira Grande Guerra Mundial, mas procurava superar inúmeros desafios em busca de estabilidade política posto que o governado Pedro de Alcântara Bacellar havia tomado posse “debaixo de bala”, em 1.º de janeiro daquele ano e prometera trabalhar para harmonizar as correntes partidárias, algumas delas bastante avessas à pacificação, como a de Antônio Guerreiro Antony.

No campo das letras, educação, cultura e artes, o que de melhor tínhamos era a Universidade de Manaus criada desde os fins dos anos 1900, a qual atravessava os primeiros abalos em sua tentativa de consolidar-se, certamente em razão do esmorecimento econômico e social que se abatia sobre a sociedade amazonense.

Foi nesse clima que foi instalado o Instituto, em data simbólica e grandemente valorizada naqueles anos da Primeira República (1889-1930), precisamente a comemorativa da Lei Áurea, a dita lei da abolição da escravatura negra no território do Império do Brasil, simbolicamente representada por imagem de generosidade da princesa Isabel.

A solenidade foi realizada nos altos do prédio da Biblioteca Pública, na Rua do Barroso, em um dos salões em que funcionava a Assembleia Legislativa, a qual acorreram as principais autoridades e personalidades de relevo, atendendo a convite publicado na imprensa, e, especialmente, o representante do governador, o dr. Hamilton Mourão e o delegado do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o jornalista J. B. Faria e Sousa.

A declaração de instalação da nova entidade de letras e pesquisa, de há muito reclamada no seio dos intelectuais que exerciam as mais várias funções e atividades na capital amazonense, foi procedida por Hamilton Mourão que, na ocasião, era o secretário-geral do Estado, uma espécie de vice-governador dos dias atuais. O orador oficial, como não poderia deixar de ser, foi Vivaldo Lima que, em alongado discurso, discorreu sobre a ideia e os fundamentos que embasaram a criação do Silogeu.

O presidente Bernardo Ramos e o representante do governador Pedro Bacellar que foi elevado à condição de Patrono do Instituto, também usaram da palavra realçando a data e a criação da entidade, para uma plateia atenta e rejubilada.

A singularidade do acontecimento movimentou a sociedade da época, mobilizou intelectuais, jornalistas e políticos, e motivou Adriano Augusto de Araújo Jorge, como deputado estadual, a propor projeto de lei para a declaração de utilidade pública e a concessão de reconhecimento consultor do Poder Público para os assuntos a que se destinava institucionalmente.

Passados cento e sete anos há uma geração de pesquisadores empenhada na manutenção das tradições e conservação de seus bens materiais e acervos documentais, e a “Casa de Bernardo Ramos” se mantém de portas abertas para o futuro, a caminho do bicentenário.


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