Indústria do Amazonas teve que gastar mas de R$ 1 bilhão contra a seca

Diretor do Cieam aponta gastos astronômicos com logística

Plataforma do governo mostra queda brutal na importação via fluvial

Solange Elias
Da redação do ÚNICO

O coordenador da comissão de logística do Cieam (Centro de Indústria do Estado do Amazonas, Augusto César Rocha, disse que a indústria do Amazonas gastou pelo menos R$ 1,4 bilhão a mais no ano de 2023, para contornar os problemas da seca.

Em declaração ao jornal Folha de S. Paulo, Rocha disse que “são custos assustadoramente altos colocados já sobre o custo Brasil e sobre o que chamamos de custo amazônico”, referindo-se à despesa adicional que as empresas têm para produzir no país, na comparação com a média dos custos nos membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Queda na importação

A avaliação de Augusto Rocha é confirmada pelo ComexStat, plataforma do governo brasileiro sobre exportação e importação. Segundo o site, houve uma queda de 83% na importação pelo modal aquaviário do Amazonas em razão da seca.

Só em outubro, primeiro mês da seca, as importações gerais no Amazonas tiveram uma queda de 49,79%, indo de US$ 1,097 bilhão (R$ 5,32 bilhões) para US$ 604 milhões (R$ 2,9 bilhões).

Por via aquaviária, essa redução foi ainda maior, de 73,82%. Em contrapartida, as importações por via aérea, que são mais caras, subiram 9%.
Consumidor não viu muitas alterações

Segundo Augusto Rocha, o consumidor final não chegou a sentir o impacto dessa despesa.

“O preço do produto é o mercado que define, é a oferta e demanda. O consumidor pouco percebe o problema. Mas a matriz do que seria a venda da empresa é toda modificada. Por exemplo, em vez de vender uma motocicleta com o maior valor agregado, ela vai vender com o menor valor agregado”, disse ele.

Seca aumentou a inflação

O IBGE apontou a seca no Amazonas como um dos fatores que elevaram a inflação de ar-condicionados no final do ano passado. No acumulado de 2023 até novembro, o preço do eletrodoméstico subiu 13,97%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Apesar de o fim da seca e o início das chuvas já terem aumentado o nível dos rios, o Amazonas ainda não chegou à normalidade.

O mais recente boletim de estiagem do estado, de quarta-feira (10), indicou que os 62 municípios amazonenses continuam em estado de emergência.

Com informações da Folha de São Paulo


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