Inclusão da bioeconomia nas contas nacionais será negócio milionáriopara o Amazonas

Professora da UFAM, Michele Aracaty detalha as oportunidades da bioeconomia

Governo Lula analisa proposta para implantação dessa iniciativa

Por Juscelino Taketomi, especial para o ÚNICO

O Brasil está prestes a se tornar pioneiro na inclusão do “PIB da bioeconomia” em suas contas nacionais graças a uma proposta inovadora apresentada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao Governo Federal.


A afirmação ao ÚNICO é da professora da Universidade Federal do Amazonas, Michele Lins Aracaty e Silva, para quem a iniciativa não apenas coloca o país na vanguarda da mensuração do “fator verde” na economia global, mas também oferece oportunidades excepcionais para estados como o Amazonas lucrarem significativamente com essa mudança.


“A proposta já foi encaminhada ao governo Lula e influenciou a criação de uma Secretaria de Bioeconomia”, comenta a professora.

Foco da bioeconomia

A bioeconomia, focada no uso sustentável dos recursos naturais, oferece um vasto potencial econômico, diz a professora. No contexto brasileiro, a inclusão dessa dimensão na contabilidade nacional é crucial, especialmente considerando a biodiversidade única da Amazônia e os recursos naturais inexplorados.


O Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV desempenha um papel central nesse processo, fornecendo análises especializadas e direcionamentos para a transição do país para uma economia de baixo carbono.

Atividades da bioeconomia

As atividades abrangidas pela proposta da bioeconomia são diversas e incluem tanto origens vegetais quanto animais, além de atividades extrativistas e da bioindústria. Segundo Michele, no Brasil o peso da bioeconomia no PIB já é significativo, representando 26% do PIB nacional em 2022, equivalente a R$ 2,5 trilhões.


“Esse número expressivo reflete não só a relevância econômica, mas também o potencial de crescimento futuro desse setor”, aponta a professora.

284 bilhões de dólares

A implementação total da bioeconomia no Brasil, de acordo com estudos da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), pode gerar um faturamento industrial anual de US$ 284 bilhões até 2050.


Esse cenário oferece uma perspectiva promissora para estados como o Amazonas, que possuem vastos recursos naturais e uma posição estratégica na região amazônica.


De acordo com Michele, a proposta de inclusão da bioeconomia nas contas nacionais não apenas reconhece a importância dos ativos ambientais, mas também destaca a renda gerada a partir de sua exploração econômica.

Os benefícios para o Amazonas

No caso do Amazonas, a medida pode ser especialmente benéfica. O estado possui todos os requisitos necessários para liderar o PIB da bioeconomia na região amazônica, especialmente considerando o modelo Zona Franca de Manaus, que, de forma indireta, contribui para a preservação da cobertura florestal.

Para aproveitar ao máximo esse potencial lucrativo, destaca a professora, é essencial que o Amazonas invista em melhorias nas agroindústrias e nos Arranjos Produtivos Locais (APLs), visando agregar valor aos produtos, gerar empregos e aumentar a participação da bioeconomia no PIB estadual.


Além disso, é fundamental mapear e incentivar pesquisas já iniciadas por instituições de ensino e pesquisa, garantindo que essas inovações sejam incorporadas aos processos produtivos.

Investimento em conhecimento

Michele chama a atenção para desafios que precisam ser superados, como a necessidade de infraestrutura adequada, uma legislação ambiental robusta e políticas públicas eficazes.


O investimento em conhecimento, pesquisa e inovação, juntamente com a organização das cadeias produtivas, é essencial para impulsionar o estado do Amazonas e o Brasil como um todo no mercado global da bioeconomia.


A professora ressalta que a inclusão da bioeconomia nas contas nacionais significa uma mudança metodológica e uma oportunidade transformadora para estados como o Amazonas, que podem se posicionar como líderes na economia verde, promovendo práticas sustentáveis e contribuindo para a redução das desigualdades sociais.


“O momento para iniciar esse processo é agora, e o potencial de lucro é vasto e palpável”, sustenta a professora.


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