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Cidades-esponja: adaptação à crise climática

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Impactos do calor sobre a economia

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            Apesar do aquecimento das vendas de ar-condicionado, ventiladores, sorvetes e roupas de banho, as altas temperaturas devem interferir no desenvolvimento econômico dos países. A onda de calor eleva a preocupação acerca da economia, uma vez que provoca a desorganização na cadeia de suprimentos, aumento da demanda por produtos o que pode ocasionar inflação.

            Além de problemas inflacionários e de abastecimento, as temperaturas extremas podem afetar o crescimento dos países fazendo-os crescer menos ou de forma mais lenta à curto e médio prazo. Em períodos de verão prolongado já foram registradas quedas de 15% a 25% no ritmo das economias.

            O mercado de trabalho também sente a elevação da temperatura: trabalhadores que necessitem ficar expostos por muito tempo ao clima quente tendem a reduzirem a sua produtividade ou mesmo sua jornada diária de trabalho, dada a fadiga e o cansaço.

Já em locais fechados, a mão de obra apresenta uma redução produtiva, aumento de problemas cardiovasculares, indisposição e fadiga o que também impacta na economia.

            Em níveis elevados de temperatura, os números de mortes de pessoas de grupos mais vulneráveis, em especial idosos e crianças, apresentam crescimento de 5 mortes adicionais por 100.000 pessoas/ dia em que a temperatura registrada fica acima de 35°C.

            O setor primário também sente o impacto do aumento da temperatura. No caso da agricultura, observa-se a queda na produtividade o que tende a impactar no preço do produto para o mercado e para o consumidor final.

Já em relação à agropecuária, no caso do Brasil, os possíveis impactos são ainda mais preocupantes pois o agronegócio tem um peso de 23% sobre o PIB nacional e uma possível queda geraria impacto sobre várias cadeias produtivas.

            O turismo também tende a ser prejudicado pelas temperaturas elevadas pois a seca reduz o volume dos rios, afugenta os turistas, provoca queda no faturamento e como consequência, necessita-se de uma menor quantidade de mão de obra o que impacta sobre os indicadores de emprego.

            O cenário de temperaturas elevadas também impacta no consumo de energia elétrica pois pessoas e empresas tendem a usarem mais o ar-condicionado e os ventiladores. Como consequência, pode-se registrar sobrecarga da rede de distribuição ou mesmo apagões que afetam a vida das pessoas, a produtividade e a economia.

            A educação também é impactada pelo clima quente, uma vez que o calor interfere no processo de aprendizagem. Quanto maior a temperatura, menores são os índices de aprendizagem. Níveis baixos de aprendizagem comprometem o crescimento econômico no futuro.

            Eventos climáticos como secas extremas, chuvas acima da média, ciclones, queimadas, tempestades, poluição do ar, tendem a afetar ou mesmo reduzir o crescimento econômico a curto e médio prazo pois além de impactarem sobre a economia e o bem-estar social as altas temperaturas prejudicam a biodiversidade provocando alterações irreparáveis e perdas irreversíveis na fauna e flora.

            Por fim, de acordo com o Relatório da Desigualdade Climática, países localizados em zonas tropicais e subtropicais sofrerão as maiores perdas econômicas e apresentarão PIBs menores o que contribuirá para o agravamento da realidade socioeconômica de suas populações vulneráveis.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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