IGHA chega aos 107 anos de existência como uma referência

Presidente do instituto conta detalhes da trajetória

Mulheres também conquistam espaço no instituto

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas completou 107 anos de fundação nesta segunda-feira (25) consolidado “como instituição de referência para o conhecimento e preservação da memória regional e nacional”, como diz o texto de sua visão, em seu site oficial.

O ÚNICO entrevistou o presidente do Instituto, José dos Santos Pereira Braga, que também é professor, jurista e doutor em Direito, que revelou pontos importantes sobre a trajetória do centro de documentação.

Confira:

Pergunta – Como o sr vê a importância do IGHA para o Amazonas?

José Pereira Braga – O Instituto foi criado em momento delicado da cidade amazonense. Primeira Guerra Mundial, redução drástica da exportação de borracha e empobrecimento da sociedade e fragilidade dos governos, precisamente para sinalizar a possibilidade de um novo tempo e servir como repositório de bens e memórias da população.

Centro de cultura, de educação, de pesquisa, e de estudos, formando par com a Universidade de Manaus que já estava reduzindo suas atividades, também pela crise econômica.

Nesse sentido o Instituto assumiu um papel de protagonista em vários campos de estudos, na posição de centro de memória e em arregimentar as inteligências da época em derredor de uma instituição cultural, até então inexistente. Esse caminho tem sido percorrido e mantido, e mais, engrandecido.

Essa importância do passado, é a mesma que se repete atualmente. O IGHA reúne grupo expressivo de intelectuais e estudiosos de várias áreas do conhecimento, os quais produzem, debatem, ensinam, e pensam o Amazonas e a Amazônia, sob vários matizes e isso projeta a sua importância.

P – Em 107 anos, o que mudou no Instituto, de lá para cá?

R- No curso desses longos anos nos quais perpassaram na Casa de Bernardo Ramos várias gerações de estudiosos, professores, cientistas, historiadores, geógrafos, as mudanças foram no sentido de modernização de suas instalações que são as mesmas de 1917, agora ampliadas, incremento dos acervos da biblioteca, arquivo e museu, mas a essência do Instituto não sofreu modificação:

Casa aberta ao estudo e ao debate, acolhendo as novas gerações e contribuindo para teses e muitas publicações acadêmicas. O essencial de mudança, se assim posso dizer, tem sido em abrigar estudiosos de áreas que até então não eram acolhidos no Instituto, como literatos, poetas e cronistas, mas também filósofos, sociólogos, posto que se concentrava em estimular as áreas mais tradicionais do conhecimento dos anos 1900.

Mudança que pode ser destacada, também, deu-se com o ingresso de mulheres como sócias, o que teve início somente nas décadas de 1960-1960, mas ainda timidamente, tendo sido a professora Neusa Ferreira a primeira a ingressar na Casa, enquanto nos dias correntes podemos contar com a lucidez e a inteligência de várias professoras e cientistas sociais, duas delas que chegaram à presidência da Casa, dras Edneia Dias e Marilene Corrêa.

Outro aspecto é que desde a fundação e até a década de 1960, somente maçons haviam sido presidentes do Instituto, e isso foi rompido com o desembargador André Araújo, isso porque o IGHA foi criado sob a inspiração da Maçonaria e por membros da instituição maçônica, o que também implicava na restrição à presença de mulheres em seus quadros, embora isso não fosse restrição expressa em estatuto.

P – As pessoas podem visitar o IGHA?

R – Podem e devem. É muito bom recebermos todos os interessados em estudos sobre o Amazonas. A biblioteca, arquivo e museu estão franqueados, gratuitamente, não tanto quanto gostaríamos posto que nosso quadro de colaboradores é reduzido, mas estamos sempre disponíveis para acolher os visitantes que podem não só conhecer acervos únicos em toda a região amazônica no campo da arqueologia e da etnografia, por exemplo, como obras de arte, mobiliário clássico como as cadeiras originais do Teatro Amazonas, relíquias de tribos indígenas extintas, coleção de jornais desde 1868, o que representa excelente fonte de pesquisa.

Fachada no prédio do IGHA, na rua Bernardo Ramos, centro histórico de Manaus

Apoio institucional

O Instituto, para melhor servir ao Estado procura apoio institucional do governo, da prefeitura, de emendas parlamentares e aporte modesto dos seus sócios, e vai permanecendo na paisagem sociocultural amazonense honrando as suas tradições.

Museu Crisanto Jobim, instalado no Instituto
Sala de reuniões do Instituto, em assembleia solene de posse de novos membros

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