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Contra a Idolatria

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

HONRARIAS

03 - homenagem PM Mario Kono (1)

Por Robério Braga

Tem sido comum, pelo menos aos institutos históricos pelo Brasil, e no nosso em particular, o registro e os festejos de datas significativas e a rememoração da vida e obra de personalidades que tenham contribuído para o progresso e a vida pública, social, artística e cultural.

Neste ano de 2024 devem ser realçadas algumas dessas figuras que tiveram trajetória significativa: Adelino Costa, Gaspar Guimarães, Lourenço Thury e Miranda Reis, posto que, cada um deles, ao seu tempo e conforme o papel que desempenharam na vida amazonense, emprestaram serviços relevantes nem sempre relembrados como deveriam, em razão, inclusive, da precariedade dos arquivos disponíveis a pesquisadores. 

No corrente exercício o pernambucano Adelino Cabral da Costa deve ser reverenciado pelos 150 de seu nascimento em 24 de novembro de 1874. Advogado formado no Recife, celeiro de grandes profissionais que vieram para o Amazonas ao tempo da época da maior riqueza propiciada pela borracha, teve forte atuação em Manaus na imprensa, na política e no meio social, tendo sido secretário do governo de Antônio Bittencourt, deputado estadual, diretor da Instrução Pública, professor da Escola Agronômica e diretor da Associação Comercial, vindo a falecer em 13 de julho de 1936.

Gaspar Antônio Vieira Guimarães, também pernambucano, nascido em 20 de setembro de 1874, já aos 18 anos publicava seu primeiro livro de versos. Formado em Direito na Faculdade do Recife, atuou em Manaus na imprensa, na política, no magistério, mas, sobretudo, na magistratura e na Maçonaria, alcançando os postos mais elevados. Foi juiz de Direito, prefeito de Segurança, jornalista, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça, vindo a falecer em 23 de junho de 1938, legando uma expressiva bibliografia em direito, literatura e história.

Lourenço Ferreira da Rocha Thury, amazonense, nascido em 25 de janeiro de 1874, estudou Agrimensura na Bahia, foi professor da Escola Normal de Manaus, demarcador de terras pelo interior, jornalista combativo e colaborador de inúmeros periódicos nos quais é possível recolher seus artigos técnicos e políticos, professor do curso de Engenharia da Universidade de Manaus, veio a falecer em 1913.

O coronel José de Miranda da Silva Reis, nascido em 18 de setembro de 1824, no Rio de Janeiro, deixou extensa folha de serviços prestados à administração provincial do Amazonas e às forças militares nacionais, em cujo corpo se formou em engenharia e ciências matemáticas. Serviu no Pará como engenheiro militar, na Comissão de Limites Brasil-Uruguai, foi diretor de Obras Públicas no Rio de Janeiro, atuou na Guerra do Paraguai, foi presidente das províncias do Amazonas (1870) e do Mato Grosso e chegou ao posto de Marechal de Campo. 

No momento em que a população da cidade de Manaus usufrui do funcionamento regular de duas universidades públicas, um instituto superior federal e inúmeras faculdades e universidades de caráter privado, portanto, de expressivo contingente de universitários, mestres e doutores, bem que a contribuição destas e de outras figuras exponenciais da história amazonense poderia ser objeto de estudos acadêmicos que debatessem o efetivo papel que desempenharam e fosse possível a construção fundamentada de um panteão literário, histórico, político e social que honrasse as melhores tradicionais de dignidade, trabalho e honestidade. 

  Portanto, o registro dessas “honrarias” tem, também, o sentido de provocação para que se alcance esse objetivo. 


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