’Guerra do potássio’ mobiliza Ministério dos Povos Indígenas

Ministra diz que “grupos ruralistas” e o agronegócio pressionam pela aprovação

Senadora diz que vai denunciar juíza no Conselho Nacional de Justiça

Alessandra Luppo
Da redação do ÚNICO

O debate em torno da exploração do potássio em Autazes, município a 113 km de Manaus, foi reaquecido esta semana por declarações da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP), em torno da decisão judicial que suspendeu todas as operações da empresa Potássio do Brasil, sob a alegação de irregularidades no processo de licenciamento.

Sônia Guajajara disse à Folha de S.Paulo que o empreendimento para exploração de potássio na Amazônia é “de total interesse dos grupos ruralistas” que são “contrários às pautas indígenas”.

“O potássio é usado para a produção de um fertilizante largamente utilizado pelo agronegócio. Esse fato aumenta a pressão desse segmento para que o empreendimento seja aprovado”, disse a pasta comandada pela ministra Sônia Guajajara, em nota enviada à Folha.

Agressões aos indígenas

A ministra também explicou porque sua pasta é contra o projeto do potássio, usando as informações do processo movido pelo Ministério Público Federal do Amazonas, que pediu e obteve a suspensão da licença para o empreendimento, por acusações de coação aos povos da etnia Mura, ameaças, cooptação, etc. “O MPI é contra o processo de coação, manipulação, intimidações e pressões indevidas que o povo mura vem sofrendo, conforme constataram o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça”, afirmou Guajajara.

A empresa se defende

Também à Folha, a Potássio do Brasil enviou nota afirmando que tem, sim, a concordância do povo Mura para implantação do projeto, em percentual acima de 90%. “Qualquer exigência fora das regras estabelecidas é descabida chicana para alterar o resultado e interferir, de forma indevida, na vontade dos indígenas”, afirmou.

Bancada ruralista

Confirmando a fala da ministra Sônia Guajajara, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) notoriamente ligada ao agronegócio e representante de um dos Estados com maior rebanho bovino do país e imensas lavouras, o Mato Grosso do Sul, se levantou contra a decisão da Justiça Federal do Amazonas, de suspender o projeto da Potássio do Brasil.
Para a senadora, a juíza federal Jaiza Fraxe estaria agindo com “ativismo judicial”, ou seja, estaria adotando protagonismo no processo, em vez de deixar as provas falarem por si.
Dessa acusação, a senadora Tereza Cristina defendeu que tanto o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quanto o Conselho Nacional do Ministério Pùblico (CNMP) sejam acionados para avaliar o quadro desse processo que tramita na 1ª Vara Federal do Amazonas.


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