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Lindalva Cruz

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Gratidão a Solon de Lucena

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Era o ano de 1909. A exportação de borracha ainda animava a sociedade amazonense como sucedia principalmente desde fins de 1880, e em particular a de Manaus e dos municípios produtores e sede dos grandes rios de seringais, apesar das preocupações de alguns seringalistas e das reclamações do governador quanto à redução da receita oficial.

O governador Antônio Bittencourt (1909-1912), superando as duras relações com o senador Silvério Nery nomeou seu filho Agnello Bittencourt para a Superintendência de Manaus (prefeito), o qual, dentre outras providências, decidiu criar a Escola Municipal de Comércio para ensino técnico, pois esse setor de trabalho dava sinais de continuado crescimento.

Nos anos 1920 a Escola, esse bom sinal de progresso ameaçou fechar as portas. O empobrecimento do Amazonas com a queda da exportação da borracha foi agravado a partir de 1919. Sem condições financeiras de vencer as dificuldades, inclusive no campo da educação, o governo Rego Monteiro optou por recorrer a ajuda material dos demais governadores de Estado e líderes políticos, centrando esforços no Nordeste, afinal, Manaus recebera desde 1877 os nordestinos fugitivos da seca, os acolhera de bom grado e por necessidade, realizara inúmeras campanhas de apoio aos flagelados nordestinos. Com a ativa participação de muitos deles criara centros de estudos, academia de letrados, hospitais e a própria Universidade de Manaus, e, com outros tantos, fizera a exploração das estradas de borracha, estes que foram sacrificados e desrespeitados sob todos os pontos de vista – humano, social e legal – em razão do regime de trabalho que lhes era imposto pelos seringalistas.

A resposta da grande maioria dos governantes a esse apelo foi o silêncio sepulcral e apenas os governantes do Rio, Minas Gerais, Maranhão e São Paulo se dignaram a responder a carta, mas, ao que parece, estas respostas não se traduziram em providência concreta.

Apenas o governador da Paraíba – Solon de Lucena – se dignou a contribuir, e de forma decisiva – para a minorar as dificuldades da população amazonense, e, por isso, tempos depois a Escola de Comércio Municipal criada em 1909, passou a ser denominada de Escola Municipal de Comércio “Solon de Lucena” em sua homenagem, porque o povo paraibano acudira o Amazonas em graves dificuldades financeiras. Além disso o governador e o povo da Paraíba foram solidários, também, estabelecendo relações políticas diretas junto ao presidente da República “solicitando de S. Exa., medidas que resolvam a lamentável situação financeira em que se encontra esse Estado”.

Ao lado da penúria material, causada inclusive por displicência e esbanjamento dos governos anteriores, não havia perspectiva de soerguimento econômico o que transformava Manaus em capital da miséria, situação agravada pela crise política que redundaria na revolução de 1924. Na época, o que fez o governador paraibano foi mobilizar a sociedade de sua terra para angariar fundos, apoiando “com o produto da subscrição promovida naquele Estado, em favor dos flagelados do Amazonas”, salvando muitos amazonenses da fome que grassava.

Passados mais de cem anos do feito, a atual Escola Estadual “Solon de Lucena” é o símbolo da gratidão do povo amazonense aos irmãos paraibanos.


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