Golpista é condenado por “estelionato emocional”

Ele enganava uma mulher, abusando de sua afeição

Casado, com filha, a intenção era apenas “um PIX”

Alessandra Luppo
Da redação do ÚNICO

Durante um ano e meio, um homem enganou uma mulher com a qual manteve um relacionamento amoroso, dizendo que era do Nordeste, que era engenheiro, morava em Manaus com amigos e que era solteiro. Tudo mentira. O golpista na verdade se aproveitou da afeição da mulher e, conforme prevê o Código Penal, abusou da sua confiança para obter vantagens patrimoniais.

Nesta semana, a juíza de Direito Larissa Padilha Roriz Penna, do Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, condenou esse homem a quatro anos e dez meses de prisão por “estelionato sentimental” e também a pagar R$10 mil à vítima, a título de danos morais, e de R$17.155,00, a título de danos materiais, valor referente a transferências bancárias que a vítima comprovou ter feito para o réu.

Só vivia doente

Segundo a vítima contou nos autos, ela manteve o relacionamento amoroso pelo período de 1 ano e seis meses, mas terminaram em razão de o homem constantemente pedir valores em dinheiro a ela, sob argumentos diversos, como o de estar doente; de precisar de remédios; de comprar comida ou pagar o aluguel e até de precisar pagar dívidas com agiotas que o estavam ameaçando.

Mentiras descobertas

Ainda de acordo com o processo, em janeiro do ano passado, a vítima descobriu que o homem efetuou diversas transferências bancárias originadas de sua conta. Também que o denunciado, além de não ser engenheiro e não exercer uma boa função, não tinha vindo do Nordeste e não vivia em Manaus em companhia de amigos, mas sim que era casado e que vivia com esposa e filha de 12 anos.

Ao fazer os pedidos de valores à vítima, o réu sempre dizia que devolveria a quantia quando recebesse o dinheiro de processos que movia contra empresas em que trabalhara ou quando se estabelecesse em Portugal, como eram seus planos.

Persuasivo

A vítima alegou que teve grande perda patrimonial, que o réu era bastante persuasivo e que a pressionava a vender bens que possuía e a repassar os valores a ele, o que foi feito em alguns casos, tanto por meio de repasses em espécie como por transferências bancárias.

Conforme a sentença, “em audiência, o réu reconheceu o recebimento parcial das transferências realizadas pela ferramenta Pix, o que corrobora a lisura dos comprovantes juntados pela vítima”.

O sedutor alegou em sua defesa que os valores recebidos seriam pagamentos por serviços prestados à vítima como motorista de Uber e outros trabalhos na casa da requerente (limpeza, pintura, entre outros).

Por ser o réu primário e por ter respondido ao processo em liberdade, o golpista vai poder recorrer da sentença em liberdade.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *