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29 de fevereiro, um dia a mais, aproveite

Por: Luiz Thadeu Nunes de Silva

Engenheiro agrônomo e viajante do mundo

Festival Folclórico de Parintins

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Estava em Anchorage, Alasca, em uma viagem que se iniciara em Honolulu, Havaí.

Ainda acomodava a bagagem no quarto do hotel, já com Wi-Fi, vi uma mensagem, querendo saber se teria interesse e disponibilidade para ir à Parintins, Amazonas, para assistir ao Festival Folclórico.

-Claro, estou pronto para a viagem, respondi de imediato.

Sempre tive vontade de conhecer Parintins, ainda mais no período do Festival.

Retornei ao Brasil, para São Luís, minha querida Ilha do Amor.

Na última sexta-feira, derradeiro dia de junho, deixei os festejos juninos, em São Luís do Maranhão, embarquei para o Amazonas. De São Luís a Parintins foram três voos, com stps em Belém e Manaus.

Viajei a convite da Amazonastur, empresa estadual de turismo do Amazonas, como Subsecrário de Turismo do Maranhão.

A viagem tinha como destino final Parintins, a caliente ilha amazônica, outrora chamada de Tupinambarana.

Sempre acompanhei o festival folclórico, via TV, e via a disputa entre o Caprichoso e o Garantido. Mas nada se aproxima do que é assistir ao vivo e a cores. É emoção pura.

A começar pela recepção, ao desembarcar no aeroporto Júlio Belém. A eficiente equipe da Amazonastur estava nos esperando com uma logística irrepreensível. Embarcamos em uma van com destino a um barco-hotel ancorado na margem direita do colossal rio Amazonas, onde pernoitamos por dois dias.

O Festival Folclórico de Parintins é uma das grandes festas populares desse imenso país: multicolorido, multifacetado, alegre; país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. É um privilégio viver em lugar como o Brasil. Não há país no mundo que sabia fazer festa melhor que o nosso.

O Festival dura três dias, sendo reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). As apresentações, são sempre na última sexta-feira do mês de junho e vão até domingo.

No início da noite de sábado, fomos para o local do evento, o Centro Cultural de Parintins, rebatizado de Bumbódromo, com capacidade para 35 mil espectadores, em formato de uma cabeça de boi.

O Festival de Parintins é um verdadeiro tesouro para a cultura popular do Brasil, atraindo milhares de pessoas todos os anos para dias de muita festa, alegria e tradições. É de grande importância para a cidade, pois movimenta a economia local.

A origem das brincadeiras remontam ao ano de 1913, quando os bois faziam pequenas apresentações pelas ruas de Parintins.

O festival bebe em uma rivalidade sadia, iniciada há cem anos, quando dois grandes grupos – os “bois” começaram a representar nas ruas de Parintins o folclore do boi-bumbá, uma variação do bumba-meu-boi do meu Maranhão, que no Amazonas ganhou características próprias, incorporando as lendas e rituais das etnias indígenas e da cultura popular da Amazônia.

O Festival de Parintins começou a ser realizada em 1965 e hoje é regulamentado por lei municipal, segundo a qual a festa será sempre realizada na última semana do mês de junho. A música que acompanha toda a festa é a toada e cerca de 400 ritmistas tocam ao mesmo tempo. As letras das canções trazem os sons das florestas e de diversos pássaros.

Ao andar pela cidade, é bonito vê que as pessoas pintam suas casa com as cores do boi para o qual torcem, evidenciando assim a importância que o festival tem para a comunidade.

 Ao chegar para assistir o espetáculo, uma energia incrível, contagiante, e vê o amor daquela gente vibrando por seu boi, é a demonstração do que nós brasileiros temos de melhor, -nossa alegria e criatividade.

No sábado, primeiro entrou o Garantido, duas horas e meia de pura emoção. Depois o Caprichoso com duas horas e meia de muita alegria e muita tecnologia. Enquanto um boi se apresenta, o outro fica no silêncio total, tudo sincronizado.

Um espetáculo no meio da floresta, com o máximo de criatividade, sendo uma mistura de sentimentos.

Parintins é um lugar para voltar, para vê o que o Brasil tem de mais genuíno, belo e criativo.

A Amazônia, com seus povos e suas florestas, sua magia e seus encantos, mostra ao mundo que a arte cura; a arte é terapêutica.

Enquanto escrevo, vejo na TV que o Caprichoso foi o campeão, pela 25° vez. Parabéns aos torcedores do azul. Para mim, os dois são campeões.

Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os continentes da terra. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.


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