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Galo custa mais de 250 mil

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Feliz 2024, ora bolas – que coisa chata !

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Amigo meu observou-me ser a coisa mais chata do mundo o 31 de dezembro, quando todos os seres humanos, inclusive vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corintianos, brasileiros e argentinos, se desejam “feliz ano novo”.

Respondi ao amigo que a humanidade é assim mesmo, cheia de contradições e falta de senso crítico. Ainda hoje acredita que Javé, um criador equivocado, que já deveria ter sido substituído pela Alta Hierarquia Divina, é o Deus Supremo – um dogma absurdo num Universo com trilhões de galáxias.

Javé cometeu tantos equívocos que obrigou Jesus, Buda e outros avatares a descerem dos seus Altos Planos para virem ajudar a humanidade terrena. Javé nunca se preocupou em consertar, por exemplo, o DNA humano, que possui componente reptiliano.

Javé não consertou nossas glândulas pineal e pituitária sabidamente atrofiadas, que impedem nossa ampla interação com o Cosmos. Desde os tempos bíblicos trata a espécie humana como sua marionete.

Disse ao meu amigo interpelador que, infelizmente, de acordo com as probabilidades, 2024 não será o paraíso. Os seres humanos continuarão com suas mentes embotadas tanto em consequência das intoxicações políticas como pelas overdoses religiosas.

Um mito pueril

As religiões são as piores coisas que acometeram o planeta Terra. No Ocidente, transformaram Jesus em um mito pueril, ele virou um Messias salvador, numa imperdoável ofensa ao livre arbítrio do cidadão.

Distorceram e manipularam, ao sabor de seus caprichos de dominação, a bonita mensagem de amor de Jesus. Este nunca veio salvar ninguém, mas apenas contribuir para melhorar o padrão moral de determinada região do globo terrestre. Trombou com o Império Romano, com Caifás e sua turma de déspotas, e acabou crucificado.

Disse também ao meu amigo que por isso, a exemplo dele, também considero chato o costume de se falsear a realidade da vida cotidiana e se desejar “feliz ano novo” a amigos e inimigos em cada dezembro. É como enxugar gelo, ora pois. É cumprir um rito social que sempre contrastará com o verdadeiro “eu” do indivíduo terreno.

Quem conhece Izzy Stone

Vamos refletir: em 2024 vão findar todas as guerras e será iniciada, finalmente, uma era de paz ? Em 2024 as grandes corporações vão mandar menos que Deus no mundo ? Acredito que não. Senão, vejamos as estatísticas de valor financeiro de cada uma delas.
Apple – US$ 3,08 trillhões; Microsoft – US$ 2,49 trilhões; Saudi Arabian Oil Co – US$ 2,09 trilhões; Alphabet – US$ 1,67 trilhão; Amazon – US$ 1,37 trilhão; Nvidia – US$ 1,15 trilhão; Tesla – US$ 848,8 bilhões e Meta – US$ 819,8 bilhões.

Por fim, aproveito este momento para homenagear um dos maiores jornalistas do século XX: Isidor Feinstein Stone, ou apenas Izzy, como era carinhosamente chamado pelos amigos mais chegados.

Izzy Stone nasceu exatamente em 24 de dezembro de 1907, nos Estados Unidos, filho de Bernard Feinstein e Katherine Novack, imigrantes russos de origem israelita. Foi um baluarte do movimento que criou o Estado de Israel, mas, a despeito de sua origem, sempre exerceu espírito crítico acerca de Israel, pelo que era visto com desconfiança pela mídia norte-americana.

Defensor intransigente dos sacrossantos valores da democracia e da liberdade com absoluto respeito aos direitos humanos, Stone nunca se curvou a nenhum governo até sua morte – e acredito, certamente, que até além dela. Não era à toa que a Casa Branca não o aturava. O Kremlin também não. Seus artigos eram radicalmente contrários ao macarthismo e à guerra do Vietnã.
Se estivesse vivo hoje, garanto que Stone estaria na ofensiva contra o conflito Israel/Hamas/Palestina. Lembro-me dos anos 70 em que a mídia estadunidense – New York Times, Washington Post, etc – reagia duramente a Stone quando ele escrevia com contundência contra o governo israelense. Isso rendeu muitas ameaças de morte ao jornalista inquieto.

Judeu de origem, Stone não tinha problemas em criticar Israel. E então era tachado de anti-semita pela Liga de Defesa Judaica. Em certa ocasião, ele atacou a poderosa Liga por ter patrocinado a invasão das instalações de um Seminário sobre o Oriente Médio com agressão a pessoas, destruição de móveis e roubo das listas de participantes do evento.

Stone era assim, implacável na defesa dos direitos da pessoa humana, sem temer esquerda ou direita. Que em 2024 sejamos como Stone. Feliz Ano Novo !


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