Especialista alerta para riscos de intoxicação em crianças

Todos os dias crianças e adolescentes sofrem efeitos de intoxicação

Especialista diz como prevenir

Alessandra Luppo,
para o ÚNICO

A falta de cuidados e a correria do dia a dia podem ocultar um perigo que está ao alcance de crianças e adolescentes: o uso acidental de medicamentos, com risco de intoxicação.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostra que esses acidentes são uma ameaça real: todos os dias, ao menos 37 crianças e adolescentes (entre 0 e 19 anos) sofrem os efeitos da intoxicação por exposição inadequada a remédios.

Perigo dentro de casa

De acordo com especialistas, a maioria das intoxicações ocorre devido à ingestão acidental de medicamentos encontrados em casa. Xaropes, comprimidos coloridos e cápsulas chamativas podem atrair a atenção das crianças, levando a incidentes muitas vezes evitáveis.
A supervisora farmacêutica da rede Santo Remédio, Bruna Barros, destaca algumas consequências.
“Os efeitos de uma intoxicação por medicamentos podem variar, indo desde sintomas leves até complicações graves que ameaçam a vida. Tosse, vômito, sonolência excessiva e dificuldade respiratória são sinais comuns de intoxicação, e o tempo é essencial quando se trata de buscar ajuda médica”, orienta a profissional.
Caso haja suspeita de intoxicação por medicamento, o primeiro passo é buscar o pronto atendimento. Se a hipótese for para algum remédio específico presente na casa, ajuda levar a embalagem para o médico.

Redução de risco

A melhor maneira de prevenir intoxicação com medicamentos, segundo a farmacêutica, é colocar os remédios em espaços seguros, longe do alcance dos menores. “A dica é preferir locais mais altos, como o topo de armários. Pode-se optar também por usar algum cadeado ou tranca para reforçar a segurança”, sugere Bruna.
Outros elementos comportamentais que podem influenciar a curiosidade das crianças para com os medicamentos, aumentando a chance de ocorrerem acidentes.
“Nunca diga para a criança que o remédio é doce, que dá super poderes ou deixa forte. Ela pode lembrar disso e depois se ver influenciada a querer tomar sozinha em maior dose”, aconselha.
Outra orientação: é não reaproveitar a embalagem dos medicamentos para armazenar qualquer produto. Isso serve tanto para o frasco do remédio como para a embalagem em caixa. Uma criança pode não diferenciar que aquele frasco ou embalagem se tratava de um remédio, anteriormente, e que não pode ser ingerido sem o acompanhamento dos pais.
Uma dica extra é dar a mesma segurança para produtos de limpeza, como a água sanitária e desinfetantes, considerando que esses itens também podem ser alvo da curiosidade das crianças, causando acidentes com intoxicação.

Cuidado com Automedicação

O que também preocupa especialistas é a automedicação, comportamento mais associado a adolescentes e adultos. Trata-se do uso sem orientação médica de um remédio, o que tem potencial para maquiar doenças e gerar riscos ao paciente, incluindo intoxicação.
Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), até 2022 89% dos brasileiros afirmam já ter se automedicado ao menos uma vez. O percentual, que estava em 76%, em 2014, e 81%, em 2020, vem crescendo ano após ano.


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