Empresário alemão é condenado pela Justiça do Amazonas

Ele abusava sexualmente de jovens e mantinha rede de prostituição

Uma das vítimas gravou a violência sexual e denunciou à polícia

A Juíza de Direito Dinah Câmara Fernandes Abrahão, Titular da 1.ª Vara de Crimes contra a Dignidade Sexual e de Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes do Tribunal de Justiça do Amazonas, sentenciou o empresário de nacionalidade alemã Wolfgang Brog, a 30 anos de prisão por estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição, em caso que teve como vítima um menina amazonense.

Na mesma ação penal, três familiares da vítima foram sentenciados por contribuírem com as práticas criminosas: a mãe foi condenada a 14 anos de reclusão, pois era ela quem facilitava o acesso de Wolfgang à filha em troca de dinheiro, uma tia materna e o irmão da jovem foram condenados a sete anos por favorecimento à prostituição.

Como tudo aconteceu

O caso só veio à tona em 2023, mas desde 2015 a jovem era vítima do alemão. Quando ela era criança o pai morreu e a mãe foi presa. Ela foi para um abrigo de onde uma tia a tirou, aos seis anos, para ir morar com ela, no município de Novo Airão.

Essa tia era casada com o alemão Wolfgang que começou a aliciar a criança. “Eu tinha 6 anos quando ele começou a passar a mão em mim e me abusar. Ele passava a mão em mim quando eu estava dormindo. Ficava com medo”, disse a vítima.

Quando ela completou 12 anos, o empresário passou a manter conjunção carnal com ela. De acordo com a denúncia formulada pelo Ministério Público, a vítima conheceu a mãe biológica aos 13 anos e passou a morar com ela em Manaus.

Mãe tentou obter proveito econômico

Ao ser informada pela filha sobre os abusos, a mãe resolveu obter proveito econômico da situação e propôs ao empresário que lhe fizesse pagamentos em dinheiro pelo silêncio e para que pudesse viabilizar a continuidade da prática dos abusos contra a vítima, o que aconteceu a partir de 2021 até 2023, quando a menina era enviada à casa do acusado, em Novo Airão.

Ainda segundo a denúncia, nesse mesmo período de 2021 a 2023, a mãe passou a obrigar a filha a manter relações sexuais com outros homens, em motéis da capital, para angariar dinheiro para a família. A menina era agredida pela mãe, com a ajuda do irmão, ao ser obrigada a realizar os encontros.

Repercussão nacional

Durante uma das ocasiões em que ela foi enviada para Novo Airão, a jovem, já com 15 anos, conseguiu gravar o estupro a que era submetida e denunciar o caso à polícia com ajuda de uma tia paterna. O caso teve repercussão nacional, com matéria no Fantástico e a revelação de que, na verdade, o alemão era empresário de uma rede de prostituição no interior do Amazonas.

Empresário está preso na Alemanha

Segundo a Justiça do Amazonas, o empresário Wolfgang Brog está preso na Alemanha, mas não pode vir cumprir a pena no Brasil, uma vez que os dois países não têm acordo de extradição.

Indenização

A Justiça decidiu também que todos os quatro sentenciados deverão pagar indenização à vítima a título de danos morais: o empresário deverá pagar o valor de R$ 50 mil à ofendida; a genitora, o valor de R$ 20 mil; já para a tia e para o irmão, o valor fixado foi de R$ 20 mil e R$ 10 mil, respectivamente.


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