Ditadura no Brasil expulsou diplomatas gays

Portal Metrópoles resgata parte da história brasileira

Militares recomendaram a expulsão de Vinicius de Moraes

Brasília (ÚNICO) O drama que muitos viveram na Ditadura Militar instalada no Brasil aos poucos chega a conhecimento público. O Portal Metrópoles divulgou essa semana e o ÚNICO reproduz, matéria assinada pelo jornalista Jonatas Martins que mostra um pouco do drama que viveram diplomatas brasileiros, em função de suas motivações sexuais.

Relatório secreto

Diz a reportagem do jornalista Jonatas Martins: “ Um novo relatório secreto chegou à mesa do ministro José de Magalhães Pinto, em Brasília, em 7 de março de 1969. Na época, o chefe do Itamaraty recebia documentos sigilosos sobre a vida pessoal de profissionais do Ministério de Relações Exteriores.
O ofício, após meses de análises, indicava resultados da Comissão de Investigações Sumárias (CIS): diplomatas brasileiros devem ter suas carreiras prontamente finalizadas por meio de aposentadoria compulsória. Os profissionais eram homossexuais e, segundo o entendimento do governo militar, tal “incontinência pública escandalosa” poderia “comprometer o decoro e o bom nome” do país”.
Segundo a matéria do Metrópoles, a ditadura militar expulsou pelo menos sete diplomatas e outros seis profissionais administrativos do Itamaraty porque eram homens gays. A Comissão de Investigações Sumárias ainda suge riu que outros dois oficiais de chancelaria e 10 funcionários internos passassem por exames médicos e análises sociais para comprovar a possível suspeita de serem ho mossexuais.
Segundo o jornalista Jonatas Martins um dos diplomatas é Ricardo Joppert, que foi afastado oficialmente em 29 de abril de 1 969, quando atuava no cargo de segundo-secretário no consulado de Gotemburgo, Suécia. Em entrevistas, ele chegou a afirmar que só soube de seu afastamento por meio da imprensa à época.
“ O profissional só conseguiu voltar ao cargo quase duas décadas depois, após um memorando da primeira Comissão de Anistia, instalada no Ministério do Trabalho em janeiro de 1980, sugerir que Joppert voltasse ao Ministério de Relações Exteriores. Mesmo assim, ele precisou realizar exames médicos para isso”, explica.
O jornalista Jonatas Martins conta que alguns que passaram por violações semelhantes nunca conseguiram retornar aos seus cargos. O primeiro-secretário do Nísio Medeiros Batista Martins, por exemplo, morreu antes da revisão proposta pela anistia. Já o servente Dionysio Fernandes Borges, que atuava como funcionário administrativo do MRE, lutou pela carreira, mas continuou afastado por conta do preconceito anos depois.
Além da homossexualidade, os motivos indicados pela comissão para expulsar profissionais do Ministério das Relações Exteriores: “ Vício de embriaguez; vida irregular, instabilidade emocional, uso de entorpecentes, entre outros.

A expulsão de Vinicius de Moraes

Um dos casos mais conhecidos da comissão foi o pedido de afastamento do poeta, Vinicius de Moraes “por alcoolismoo”, que terminou sendo recomendado para outro setor em função da sua reconhecida importância cultural no Brasil.
A Associação dos Diplomatas Brasileiros é uma das principais instituições que têm trabalhado para evitar que violações políticas se repitam dentro do Ministério de Relações Exteriores.
“Cada vez mais se dá importância à diversidade das pessoas, reconhecendo que a pluralidade de origem, culturas, etnias, gênero e orientações sexuais enriquece o tecido social do país” diz a Associação dos Diplomatas.


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