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O povo que se arrume.

Por: João Melo Farias

João Melo Farias Poeta e indigenista.

Discurso pro Lula

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Em 1989 Luís Inácio Lula da Silva concorria pela primeira à Presidência da República e fez a primeira Caravana das Águas, que foi um evento político de conhecimento e conversa com as lideranças políticas locais para traçar o Plano de Governo a ser implementado caso ganhasse a eleição. Eu, na época, era o Administrador Regional da Funai Parintins e fui convidado para fazer uma fala institucional no encontro que se daria no Teatro Municipal Teodoro Dutra, na cidade de Barreirinha capé, como dizem os Mawé. Peguei carona no barco do saudoso e querido amigo Tui’sah Zuzu de Parintins a Barreirinha e fui.

Peguei meu discurso e memorizei. Meu tempo de fala era de 2 a 3 minutos, disposto pelo Mestre de Cerimônia do evento na cidade de Barreirinha-AM.

Para ganhar confiança, antes da cerimônia, dirige-me a um boteco onde tomei quatro “geladas” preparando-me espiritualmente. Na hora da minha fala, deu um brancão do caralho, esqueci totalmente o texto. Virei para o lado e pedi ajuda para o Mecias, que naquele período era o primeiro Vereador indígena eleito pelos Sateré-Mawé do rio Andirá, no Partido dos Trabalhadores-PT: – Mecias, esqueci totalmente o texto. E ele me respondeu: – te arranja por aí mano. Mesmo assim, peguei o “bucar de ferro” e meti a lenha, falei por quase 12 minutos. Quando terminei todos, ou quase todos, estavam a aplaudir.

Até hoje, infelizmente não lembro de porra nenhuma o quê falei naquela ilustre cerimônia a menos de um metro do hoje Presidente Lula.

João Melo Farias
Ixé Tupinambarana


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