Deepfakes se infiltram no processo eleitoral

Prefeito de Manaus foi o primeiro a denunciar

Adversários usam Inteligência Artificial para criar áudios falsos

Fábio Rodrigues
Especial para o ÚNICO

Brasília (ÚNICO) – O prefeito de Manaus, David Almeida, foi o primeiro a denunciar o uso de Inteligência Artificial para criação de gravações falsas, as chamadas deepfakes, com objetivos eleitorais.

Agora, em mais dois Estados, Rio Grande do Sul e Sergipe — a polícia investiga suspeitas de uso de IA para criar áudios falsos.

Investigações no RS

No Rio Grande do Sul, o prefeito de Crissiumal, Marco Aurélio Nedel, foi acusado de xingar funcionários. “Vou falar do aumento ano que vem (2024) (…) Depois vamos levando na conversa, entendeu? Pessoal com pouco estudo, analfabeto, já ganha demais”. A polícia investiga a autoria do áudio.

Investigação em Sergipe

Já em Sergipe, o caso atingiu o deputado federal Gustinho Ribeiro (Republicanos), que é casado com a atual prefeita da cidade de Lagarto, Hilda Ribeiro. No áudio falso divulgado, Ribeiro aparece dizendo: “Pode arrochar, bote pra f…, eles lá não têm poder nenhum, quem está no poder somos nós”.
Ele também fez denúncia oficial na Polícia Federal.

Tribunal Superior tenta controlar

A proliferação desse tipo de conduta colocou o Tribunal Superior Eleitoral em alerta. Os ministros e técnicos estudam uma maneira de controlar ou por fim na prática da deepfake – se possível com cassação de mandato.


Estão previstas ainda para este mês de janeiro várias audiências públicas sobre o tema, para que a Justiça Eleitoral possa editar uma resolução sobre essa prática.

O que é deepfake

A técnica de adulteração de sons e de vídeos é conhecida como “deepfake’, no qual o tom, o timbre e até o jeito de alguém falar é recriado artificialmente. Assim, ao receber uma gravação pelo WhatsApp, o eleitor reconhece a voz do candidato e acredita que o político disse algo que, na verdade, não disse.

David foi o primeiro

O caso do prefeito David Almeida está servindo de parâmetro para os demais casos que estão surgindo na Justiça Eleitoral. David à Polícia Federal (PF) ter sido alvo de deepfake no fim do ano passado.

No áudio atribuído a ele, a voz do político, emulada por Inteligência Artificial, trata os professores da rede municipal de ensino de “vagabundos” e diz que os servidores “querem um dinheirinho de mão beijada”.


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