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Correr nas ruas públicas de Manaus, é uma arte

Coluna:

Por: Maria Ritah

Maria Ritah é atleta ultramaratonista, apresentadora e produtora do programa Conexão Gaia, da radio Logos FM 87.9. Contato comercial 92-991021957

Correr nas ruas públicas de Manaus, é uma arte

São 5h da manhã. Levanto da minha cama, abro a janela do meu quarto e olho para o céu estrelado. No horizonte, consigo ver o nascer tímido do sol. Desde que comecei minha terapia, sigo a recomendação da minha hipnoterapeuta, de incluir na atividade diária a meditação durante 21 minutos. Um hábito que vem sendo anexado com sucesso. Só então, visto minha roupa preferida de atleta, calço o meu tênis, e com a proteção divina, sigo para minha corrida matinal pela estrada do aeroporto de Manaus.

Eu fiz as contas. Há 19 anos que eu corro pelas avenidas, ruas e calçadas de minha cidade. Conheço cada buraco, batente, meio-fio e matagal, da minha casa para estrada a fora. Tenho por segurança, variar os percursos, mas na maioria das vezes, prefiro mesmo correr pela do aeroporto.

Uma vez, um colega meu me perguntou se eu não tinha medo de correr sozinha pelas ruas de Manaus. Eu respondi para ele, que quando comecei a correr, eu tinha medo, mas fui aprendendo a arte de correr nas ruas. Ele achou estranho e eu fiquei refletindo nessa arte.

Por que correr nas ruas de Manaus é uma arte?

A corrida de rua para mim é uma arte, porque eu tenho que ter conhecimento profundo do espaço que eu ocupo. Preciso ter uma atenção plena. Não posso correr com nada que tira minha atenção do aqui e agora e dos meus movimentos corridos.

Às vezes me sinto como uma gazela das savanas africanas, saltando os buracos das ruas, desviando de alguns carros que trafegam pelo meio-fio, ou dando uma parada no sinaleiro para atravessar as ruas.

Em alguma etapa do caminho, tenho que subir ladeiras, e quando isso acontece posso sentir a lei da gravitação universal Newton, com sua força de atração atuando em cada músculo de meu corpo.

Em outras ocasiões, passo por trabalhadores na parada de ônibus e como uma equilibrista na corda bamba, eu vou desviando um e outro.

É preciso atenção plena para se correr nas ruas de Manaus.

Eu sou das época das cavernas e sei correr sem as tecnologias acústicas e relógios com GPS que recebem mensagens de celular e grita a cada quilômetro corrido.

Tudo que levo para minha corrida é meu corpo, meu cérebro, meu coração e minha respiração. Só preciso disso para correr. Gosto de ouvir as pisadas. Sou igual um bicho que espera ter grama ou terra batida para correr. Não tenho necessidade de ouvir músicas para me motivar. Quando você corre nas ruas, precisar ter atenção e se a pessoa curte estas tecnologias, ela precisa mesmo correr no parquinho. É mais seguro.

E por falar em pessoas, na maioria das vezes, eu gosto de correr sozinha. Viajo no tempo com os meus pensamentos e ouvindo os batimentos cardíacos. Aliás, tirando as buzinas e o barulho das ruas, o som do meu coração é o único que eu escuto. Ele é o músculo mais importante do corpo. Eu sempre corro com o coracao.

A lição de hoje é simples: saia, corra pelas ruas com a atenção plena e aprenda com o professor supremo. A natureza é mestra em nos ensinar, é nossa luz-guia quando se trata de ciclos e ritmos.

Quando você tiver oportunidade, caminhe ou corra pela cidade e observe as árvores que chegam a ser centenárias.

Veja os pedregulhos sob seus pés que devem ter milhões de anos. E o ar que você respira? Muitas vezes penso que estou respirando o mesmo ar que Jesus Cristo respirou em sua passagem terrestre. Não é incrível isto?

Correr pelas ruas da cidade também te conecta com as pessoas da sua região. Em 10km corridos, eu chego a dar mais de trinta bom dia… por aí (rs*), eu aprendi que um bom dia doado cedo pela manhã, traz a boa sorte paro resto do dia.

Querido leitor, tudo ao seu redor é vida. Vamos celebrar neste exato momento essa sintonia, porque no final das contas, você e eu temos um único momento aqui. O que você pretende fazer a respeito?

Fica a dica: correr é uma arte e também salva dias ruins.

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