Comunidade ribeirinha é opção para turismo

Local é mais conhecido por estrangeiros

Barcos fazem a viagem do Porto de São Raimundo até a comunidade

Evaldo Ferreira, especial para o ÚNICO

O Amazonas possui lugares turísticos mais conhecidos por turistas de todo o Brasil e exterior do que pelos amazonenses. É o caso do Tumbira, no rio homônimo, um afluente do rio Negro, uma comunidade ribeirinha com infra-estrutura para receber visitantes, mas conhecida e visitada por poucos manauaras.
Lá vivem cerca de 160 pessoas integrantes de 40 famílias com predominância dos Garrido e Macedo praticando o Turismo de Base Comunitária, sendo apoiados pela FAS (Fundação Amazônia Sustentável) há 14 anos.

De acordo com Roberto Brito, proprietário da Pousada do Garrido (@pousadadogarrido) junto com a esposa Nádia Garrido, 70% da renda dos moradores do Tumbira vem do turismo. A pousada do casal fica junto à escadaria que liga o porto às terras da comunidade localizada numa encosta.
“Começamos com a Pousada, em 2011, mas foi em 2014, por causa da Copa do Mundo, no Brasil, com jogos em Manaus, que alavancamos os negócios. A Pousada possui seis quartos, mas como o turismo foi crescendo, tivemos que abrir mais 13 quartos nas casas de cinco moradores e a previsão é que, em julho, sejam abertos mais sete quartos em três outras casas”, avisou Roberto.

A Pousada oferece vários pacotes: trilhas pela floresta com ensinamentos sobre as propriedades das árvores; passeios pelos igapós, de dia e noturnos, e no arquipélago de Anavilhanas; ida às praias, pesca esportiva, pesca de caniço; farinhada; participação nos eventos da comunidade; acampamento na selva; e passeios no Caveirão, um caminhão adaptado e exótico; entre outros.

Casa virou hostel

O que chama a atenção em boa parte da frente da comunidade onde está a igrejinha de madeira, as salas de aula e o centro comunitário é a pista de tijolinhos tipo aquela do filme O Mágico de Oz, construída pela FAS. A igrejinha, toda em madeira de lei, é em honra de N. Sra. do Perpétuo Socorro.
Em 1991 a filha da professora Maria Lúcia estava doente. Preocupada, ela pediu à santa que curasse a garota e se tal acontecesse, mandaria construir uma capela em sua honra. A menina ficou boa e Maria Lúcia cumpriu a promessa construindo a capela hoje substituída pela igreja onde a comunidade se reúne. Um campo de futebol serve para a diversão dos ‘atletas’ da comunidade.

As casas do Tumbira são as casas amazônicas típicas, construídas com madeira e espalhadas em amplos terrenos. Vera Garrido, a proprietária de uma dessas casas, a transformou no Hostel VG (@hostel_vg).

“Resolvi fazer da minha casa um espaço para receber visitantes, em 2019, quando um pessoal da Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) não teve onde se hospedar devido a Pousada do Garrido estar lotada. Uma parte veio para cá e, desde então, passei a receber hóspedes”, contou Vera.

O Hostel VG tem cinco camas divididas em três quartos. Na varanda, atrás da casa, tem-se uma excelente vista, do alto, do rio Tumbira. Os pacotes oferecidos por Vera são os mesmos da Pousada do Garrido, já que são parentes e trabalham em conjunto. Ela é irmã de Nádia.

Cachos de bacaba

Lucineide Silva é mais uma das irmãs Garrido. Ela trabalha com artesanato há mais de dez anos e a chegada dos visitantes e turistas aumentou em muito a sua clientela. Na sua casa ela fundou o espaço Entrelaçando Gerações (@entrelacandogeracoes), onde produz e expõe seus trabalhos.

“Tenho mais quatro artesãos que me ajudam a dar conta da demanda de artesanatos, peças de decoração e de utilidade doméstica como leques, luminárias, mandalas, jogos americanos, porta panelas e porta copos, centros de mesa, colares e pulseiras feitos principalmente com palhas de tucumã, cachos de bacaba e sementes de açaí, buriti, jarina, entre outras”, informou.

A matéria prima utilizada por Lucineide vem das comunidades vizinhas e ela se orgulha de ter sido pioneira no artesanato com cachos de bacaba, antes jogados fora.

Desde 2010 a Fundação Amazônia Sustentável apoia o turismo na comunidade do Tumbira, conforme explica o gerente do Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia, Wildney Mourão.
A FAS tem nove desses núcleos espalhados pelo Amazonas. Hoje a Comunidade do Tumbira possui internet e energia solar. Mais de 20 famílias da comunidade participam diretamente da atividade turística.

Como chegar a Tumbira
Porto de São Raimundo
Expresso C harlotte
Ida – sexta-feira 13h
Retorno – domingo 15h
Preço: R$ 120 por pessoa (ida e volta)
Recreio Meu Zanys
Ida – terça-feira 20h
Retorno – quinta-feira meia noite
Preço R$ 120 por pessoa (Ida e volta)


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