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Amazônia no epicentro: Biopirataria movimenta quase US$ 23 bilhões no mundo

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Com as garras na Amazônia: PCC lucra 1 bilhão de dólares ao ano com o tráfico de drogas

Nos últimos anos, a Amazônia tem se tornado um campo de batalha no combate ao narcotráfico, com um aumento significativo nas apreensões de skunk, uma forma potente de maconha, em embarcações que circulam pelos rios da região.

Estados como Amazonas e Pará têm enfrentado uma escalada na importação dessa supermaconha, juntamente com a cocaína, oriunda de países vizinhos como Peru e Colômbia.

A situação destaca a complexidade e a intensidade da guerra contra as drogas na Amazônia, com facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputando o controle das rotas fluviais.

A disputa entre essas facções é acirradíssima por conta do comércio altamente lucrativo de ouro que é hoje o tráfico internacional de drogas, conforme extensa reportagem divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo nesta sexta-feira (07). Por exemplo, o Primeiro Comando da Capital (PCC) amealha U$S 1 bilhão ao ano com o tráfico.

A situação é mais que preocupante. O aumento das apreensões de skunk em rios como Madeira, Amazonas e Solimões reflete o avanço das operações contra o narcotráfico na região, mas urge que muito mais seja feito em nome da segurança nos rios amazônicos.

Autoridades de segurança dos estados do Amazonas e Pará relatam um crescimento nas apreensões de skunk frequentemente associado à cocaína. Segundo Ualame Machado, secretário de Segurança Pública do Estado do Pará, a produção de skunk na Colômbia, juntamente com cocaína, tem aumentado, contribuindo para o incremento das apreensões.

Disputa por território

O Comando Vermelho, historicamente dominante na Região Norte, e o Primeiro Comando da Capital, a maior facção criminosa do Brasil, travam disputa fratricida pelo controle das rotas fluviais, como reconheceu ao Estadão o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Marcus Vinícius Oliveira de Almeida.

Tal rivalidade transformou rios como Madeira, Amazonas e Solimões em zonas de conflito. O CV foca principalmente no tráfico doméstico, enquanto o PCC, apesar de sua menor presença territorial, busca expandir suas operações de tráfico internacional e lavagem de dinheiro.

Para enfrentar esse desafio, os estados do Amazonas e Pará investem pesadamente em bases fluviais equipadas para interceptar carregamentos de drogas.

No Pará, a implantação da base fluvial no estreito de Breves resultou em um aumento significativo das apreensões, que saltaram de meia tonelada entre 2019 e 2021 para mais de 7 toneladas entre 2022 e 2024. Outras bases estão sendo planejadas para Óbidos e Abaetetuba, áreas críticas para o combate ao tráfico.

No Amazonas, quatro bases fluviais estão em operação, incluindo as bases móveis Tiradentes e Paulo Pinto Nery e as fixas Arpão 1 e Arpão 2. Essas bases são fundamentais na interceptação de drogas, com apreensões de skunk subindo 31% em dois anos, totalizando 19,1 toneladas em 2022.

Confrontos violentos

O combate ao narcotráfico na Amazônia é complexo e perigoso. As operações de apreensão frequentemente envolvem confrontos violentos entre forças de segurança e facções criminosas, que estão fortemente armadas.

Em fevereiro deste ano, a apreensão de um submarino clandestino em São Caetano de Odivelas (PA) evidenciou a sofisticação e a audácia das operações de tráfico na região.

Apesar dos esforços significativos das autoridades, a disputa pelo controle dos rios continua intensa e violenta. A colaboração entre estados e o investimento em tecnologia e infraestrutura de segurança são essenciais para conter o avanço do tráfico e garantir a segurança da população.

O crescimento das apreensões de skunk nos rios da Amazônia reflete um cenário de crescente complexidade e perigo no combate ao narcotráfico. E, sem dúvida, a rivalidade entre facções criminosas e a expansão das operações de tráfico exigem uma resposta coordenada e robusta das autoridades de segurança.

As bases fluviais e as operações integradas são passos necessários, mas o combate efetivo ao narcotráfico na Amazônia requer vigilância constante, inovação e cooperação entre os estados e o Governo Federal.


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