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Coisas que aprendi no boxe: mantenha a guarda alta

Coluna:

Por: Maria Ritah

Maria Ritah é atleta ultramaratonista, apresentadora e produtora do programa Conexão Gaia, da radio Logos FM 87.9. Contato comercial 92-991021957

Coisas que aprendi no boxe: mantenha a guarda alta

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Vou confessar para vocês: minha vida social sempre se resumiu no esporte. Na adolescência, gostava de jogar voleibol e handebol, mas minha baixa estatura não permitia eu ser a estrela do time e, sinceramente, eu mais ficava para completar tabela. De tanto ficar na reserva dos jogos escolares do meu time, eu desisti.

Na sequência, veio a paixão de duas rodas, e não era bicicleta, me apaixonei por andar de patins nas praças e avenidas esburacadas da cidade. Saltar, pular e desviar os obstáculos era como uma competição individual que me enchia de orgulho. Cai, ralei, perdia o equilíbrio, caia de novo, levantava e seguia em frente com a sensação de liberdade.

Era bom demais!

O amor pela corrida de rua, já veio tarde. Tinha 34 anos, adulta, mãe de meninos, e bem gordinha, eu resolvi correr no quarteirão do conjunto para emagrecer. Só que eu me senti tão bem, que corro nas ruas até hoje (mais isso quem me acompanha aqui já sabe, certo?)

Proteja a sua mente com a guarda alta.

Na minha vida, o treino de boxe surgiu por causa dos meus meninos. Eu queria muito incentiva-los a treinar lutas, tanto é que acompanhava os treinamentos e, e enquanto eles estavam no Jiujitsu (paixão dos dois) eu comprava luva de boxe.

Eu lembro do meu primeiro professor de boxe, Ernani Puga, baixinho e marrento ele sempre repetia: mantenha a guarda alta… olha a guarda alta…e numa dessas me acertava de leve, um soco no queixo ( eu tinha protetor de rosto…ok?)

Ele dizia que a guarda é uma postura de defesa no boxe para proteger áreas vulneráveis, ou desviar os golpes do oponente. No boxe, você pode até não ter a técnica perfeita, mas se mantiver a guarda alta, você consegue sair da luta bonitinha.

Eu trouxe isso para vida!

Não treino mais boxe, mas a lição ficou para vida. Hoje, manter a guarda alta é eu proteger minha mente das falsas notícias, do emaranhado social em que vivemos, do negativismo absoluto, das relações tóxicas, do discurso do ódio e tentar na medida do possível, ter uma mente aberta para aceitar o diferente de mim sem querer exigir nada em troca, porque no final das contas, amor e respeito é de graça.

Vamos combinar? Vivemos tempos ideologicamente difíceis. Cada um defende seu quadrado como única verdade. Somos todos os dias turbinados por informações que carecem de respaldo e verdade. Os interesses individuais, estão acima do coletivo. Guerras e rumores de guerras cibernéticas.

Diante de tanta coisa, que mantenhamos a guarda alta.

Passo para vocês?

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