Cientistas alemães sobrevoam a floresta para entender a formação das nuvens na Amazônia

A operação vai demorar 50 dias e conta com participação de brasileiros

Objetivo é coletar amostras de ar para entender a formação da chuva na floresta

O avião de pesquisa Halo, um jato especial equipado com vários instrumentos para estudo da alta atmosfera, levantou voo neste domingo (4) para começar no Brasil, a missão de 50 dias sobrevoando a Amazônia a até 15 km de altitude para estudar a interação da floresta com a alta atmosfera.
A iniciativa, um projeto de pesquisa de cerca de US$ 20 milhões, está sendo em sua maioria bancada pela Sociedade Max Planck, a maior instituição de pesquisa alemã, em parceria também com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O objetivo dos cientistas é coletar amostras de ar nessa altitude para entender a formação dos agregados de aerossóis que provocam a chuva na floresta e entender como ela interage com o Atlântico.

O projeto

O projeto envolve cerca de 80 cientistas, que estão instalados em uma base improvisada no Aeroporto Internacional de Manaus. No lado brasileiro, a iniciativa é coordenada pela Universidade de São Paulo (USP) e do lado alemão pelo Instituto Max Planck de Química. As duas instituições já são parceiras em outro projeto na Amazônia, a torre de pesquisa ATTO, a mais alta estrutura construída na América do Sul e que está instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, entre os municípios de Itapiranga e São Sebastião do Uatumã.
“Esperamos obter novas informações sobre os processos químicos na atmosfera acima da floresta tropical e também sobre as interações entre a biosfera e a atmosfera, a fim de explicar melhor o papel fundamental da floresta tropical no sistema terrestre”, diz Jos Lelieveld, do Max Planck, o líder científico da pesquisa.

Halo

O nome Halo é um acrônimo de High Altitude and Long Range Research Aircraft (Aeronave de longa autonomia e grande altitude). Com o sobrevoo, o grupo espera preencher uma lacuna de dados no entendimento da atmosfera sobre as florestas, que já é bem mapeada por satélites e por dados coletados por aviões em altitudes menores. O meio do caminho entre essas duas camadas ainda é uma área relativamente mal conhecida, que os instrumentos do Halo poderão mostrar melhor.


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