Ciência: revista “Amazoniana” está digitada e com acesso liberado

Publicação foi uma das primeiras publicações do Inpa

Periódico circulou de 1965 a 2007 em formato impresso

Com artigos inéditos, Amazoniana publicou artigos escritos em alemão, português e inglês, e em menor quantidade em espanhol e francês. A revista trouxe para o cenário internacional pesquisas realizadas na Bacia Amazônica por grupos de pesquisa estrangeiros e nacionais, em cooperação com o Inpa.

Na primeira década do Instituto (implantado em 1954), as comunicações científicas ocorriam via Cadernos Amazônicos. Seis anos após o funcionamento da Amazoniana, em 1971, nasceu a Acta Amazonica, a primeira revista do Inpa editada no Brasil com recursos nacionais, e que permanece até a atualidade. De acesso aberto e gratuito, a revista multidisciplinar possui todo o seu acervo em formato digital.

As edições podem ser acessadas em https://repositorio.inpa.gov.br/simple-search?location=%2F&query=Amazoniana&rpp=10&sort_by=score&order=desc

Trabalho digital

“Reunimos os volumes que estavam dispersos em salas de pesquisadores, e tomamos a iniciativa de fazer um trabalho de digitalizar toda a coleção a fim de disponibilizá-la ao público. Então, estamos premiando os leitores com essa importante publicação do século 20 e preservando uma parte relevante da memória institucional da produção e circulação do conhecimento científico do Inpa”, disse o curador da Coleção de Invertebrados do Inpa, o pesquisador Marcio Oliveira, destacando a necessidade de ter investimento governamental para financiar a digitalização de acervos históricos do Amazonas.

Duas coleções

A iniciativa de digitalizar a Amazoniana teve início em 2022, e contou com a participação do Serviço de Biblioteca e Gestão da Informação (Sebgi), liderado pelo bibliotecário Inácio Oliveira, e com o pesquisador aposentado Célio Magalhães, da área de crustáceos. A Biblioteca já tinha uma coleção completa da Amazoniana, e com a obtenção dos fascículos de Magalhães e de outros pesquisadores, hoje são duas coleções integrais, disponíveis para consulta local.

Conteúdos

De acordo com o bibliotecário Inácio Oliveira, ao todo foram publicados 19 volumes da Amazoniana, cada um com quatro fascículos, gerando 593 trabalhos digitalizados, a maioria artigos, mas se considerou também prefácios, editoriais, comentários, ensaios e obituários. Os artigos abordavam os processos físicos, químicos e biológicos das águas amazônicas, além das áreas úmidas da região e investigações com plantas, peixes, algas e insetos aquáticos. Há ainda registros de pesquisas em outros biomas, como no Pantanal, mas em menor quantidade.

Fundada por Djalma Batista

A revista Amazoniana foi fundada pelo então pelo diretor do Inpa, o médico, cientista e escritor Djalma Batista – que se tornou mais conhecido com a obra O Complexo da Amazônia: análise do processo de desenvolvimento -, e pelo diretor do departamento de Ecologia Tropical do Instituto Max-Planck de Limnologia (Plön/Alemanha), Harald Sioli, cientista que deu início ao convênio com o Max-Planck. Sioli influenciou sobremaneira os estudos de ecologia tropical e suas pesquisas foram pioneiras sobre a classificação das águas dos rios da Amazônia.


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