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O Esverdeamento da Economia

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Cidades-esponja: adaptação à crise climática

A catástrofe ambiental causada pelo elevado volume de chuvas no Rio Grande do Sul despertou a necessidade de repensar as cidades de forma a prepará-las para absorver um grande volume de água.

De acordo com o relatório Mundial das Cidades (2022) publicado pela ONU-Habitat, 68% da população mundial residirá no meio urbano até 2050 fato que amplia ainda mais o desafio de tornar as cidades seguras e sustentáveis.

O processo de adaptação das cidades para absorver elevados volumes de chuva vem acontecendo desde a década de 1970 nos Estados Unidos, mas foi em 2010 que o termo “cidade-esponja” foi apresentado ao mundo pelo arquiteto, urbanista e paisagista chinês Kongjian Yu, que se inspirou na antiga tradição e sabedoria chinesa da agricultura e da gestão da água que “fazem uso de ferramentas simples para transformar a superfície global em grande escala e de forma sustentável” (Coelho, 2023).

As cidades-esponja refletem uma nova forma de repensar o tratamento da água no ambiente das cidades e incentiva a adoção de uma infraestrutura verde (baseadas em áreas naturais e elementos de água) em vez de infraestrutura cinza (feita com cimento, concreto, aço e asfalto) (Coelho, 2023).

Para tanto, esse tipo de cidade “constitui uma abordagem ampla para a mitigação de enchentes urbanas a partir de projetos inovadores de paisagismo e drenagem para reduzir e retardar o escoamento, permitindo assim que certas partes da cidade sejam inundadas com segurança durante condições climáticas extremas” (Montalto, 2024).

As cidades-esponja possuem infraestrutura baseada em recursos naturais e Soluções Baseadas na Natureza (SbN) as quais envolvem elementos capazes de garantir maior permeabilidade do solo com o propósito de absorver um volume maior de água da chuva ao longo de todo ciclo hidrográfico.

Essa inovadora abordagem difere das demais a partir do gerenciamento de águas fluviais uma vez que são dimensionadas para tempestades muito maiores e precisam ser aplicadas em quase todas as superfícies urbanas (Montalto, 2024).

Entre os inúmeros exemplos de infraestruturas utilizadas nas cidades-esponja destacamos: os parques lineares, os jardins drenantes, os jardins de chuva, as wetlands, valas de infiltração forçada, pisos e pavimentos drenantes, áreas para retenção e retardo das águas, corredores ecológicos, hortas urbanas, telhados verdes, matas ciliares, reuso de águas dentre outras (Coelho, 2023).

Além de contribuírem para a absorção da água da chuva as cidades-esponja auxiliam na redução da temperatura e do mal-estar pois “quanto mais infraestrutura verde maior é a qualidade de vida urbana” (2023).

Os especialistas esclarecem que não precisamos criar “novas cidades” e sim aproveitar as peculiaridades já existentes com foco na capacidade individual de transformação e regeneração.

Aponta-se que um dos grandes desafios para a adaptação das cidades aos elevados volumes de água seja a integração de políticas de desenvolvimento da cidade com ações de sustentabilidade de forma a propiciar um ciclo virtuoso e seguro para todos no ambiente urbano.


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