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Observando o mundo em um café no Porto

Por: Luiz Thadeu Nunes de Silva

Engenheiro agrônomo e viajante do mundo

Chuva, inundação, destruição e mortes

Desde criança ouço uma máxima que diz, “o Brasil é um país privilegiado; não tem terremotos, ciclones, tsunamis e outras calamidades que existem pelo mundo”. De um tempos para cá, isso mudou. Estamos assistindo e acompanhando as mudanças climáticas que o nosso grande Brasil está passando, resultando em caos e mortes. Recentemente, acompanhamos, a seca no pantanal mato-grossense, com queimadas, caos e morte de animais; seca nos rios da Amazônia, -a maior bacia hidrográfica do mundo. Chuvas forte, dilúvio no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, com destruição, caos e morte. Mas, nada disso é maior que a tragédia que se abate sobre o estado do Rio Grande Sul. 
Os altos índices pluviométricos que caem sobre as cidades gaúchas, desmentem a máxima citada acima. Uma hecatombe que torna de um dos mais belos e rico estado da federação em um local de destruição total. As imagens mostradas pelos canais de tvs são de cortar o coração.  Quem imaginou que presenciaríamos algo assim? Ninguém. É algo inimaginável. Um pesadelo. 
Nenhum lugar do mundo está preparados para as condições climáticas extremas. Menos ainda no Brasil. Nossas cidades não estão despreparadas para as tragédias climáticas. Na última década, 93% dos 5.570 municípios brasileiros foram assolados por desastres do clima, e 3.679 do total (66%) têm capacidade adaptativa baixa ou muito baixa a tais calamidades. Dados do IBGE. 
Passou da hora de implementar a adaptação do país a eventos extremos. Se não começar já a executar as medidas complexas que se exigem, a toda nova enchente o Brasil despenderá bilhões em providências frenéticas para enxugar lama.
Nós, homens e mulheres, que pensávamos que tínhamos o controle de praticamente tudo o que existe sobre a Terra e, mesmo assim, perto de sermos a mais frágil das espécies com que dividimos a existência. À exceção de uma guerra nuclear aniquilante, continuamos a agredir com voracidade suicida o meio ambiente que permite o viver humano. Ao arrepio da ciência e do saber, tudo sofre agressão ininterrupta — oceanos, outras espécies, florestas, rios, pantanais, ecossistemas, biomas, ar, água. Tudo. As consequências estão aí. A natureza pode até aceitar muita coisa, mas não aceita tudo. E, o resultado estamos vendo, e principalmente, sentido. “Estamos todos, nós: plantas, animais, objetos, imersos no mesmo espaço regido pelas leis da física.
Esse espaço comum tem seu formato, em que essas leis esculpem uma quantidade incontável de formas mútuas e correspondentes. Nosso sistema circulatório se parece com as redes de drenagem, a estrutura de uma folha é semelhante aos sistemas da comunicação humana, o movimento das galáxias faz pensar nos redemoinhos da água que escorre na nossa pia. O desenvolvimento das sociedades lembra as colônias de bactérias. As escalas micro e macro revelam um sistema infinito de semelhanças. O modo como falamos, pensamos e criamos não é nada abstrato e desligado do mundo, mas é antes uma continuação, em outro nível, de seus processos incessantes de transformação”, escreveu Dorrit Hazarin, no domingo, no jornal OGlobo.
Estou no Porto, Portugal, vim para o lançamento do meu livro “Das muletas fiz asas”; assisto na TV do quarto do hotel onde me hospedo, que a chuva não dá trégua ao povo guacho, alagando ainda mais as cidades, desmoronando pontes, cortando estradas, enfim, piorando o caos já instalado. E, como disse um dos entrevistados, o que aquele povo está vivendo não é uma não é tragédia, “mas uma catástrofe sem tamanho”. O número de mortos e desaparecidos não para de crescer, e na enxurrada, lá se vão sonhos, esperança, planos e expectativas de um amanhã. 
Uma coisa é certa. O responsável por tudo isso, que estamos presenciando, e sentindo na pele, tem nome e sobrenome. Nós, ditos humanos, bípedes, mamíferos e irracionais. 
Acredito que Deus, a nos observar lá de cima, deva estar arrependido de ter nos criado, e esteja pensando: “Eita, povinho besta! Não aprenderam nada”. 
Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os continentes da terra. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. 
Membro do IHGM, Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. ABLAC, Academia Barreirinhense de Letras, Artes e Ciências, ATHEAR, Academia Atheniense de Letras e Artes


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