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Os jornais da revolução

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Centro Cultural Palácio da Justiça

Neste ano transcorre a “maioridade” – 18 anos de criação – do Centro Cultural Palácio da Justiça – CCPJ, equipamento cultural em que transformamos a antiga e centenária sede do Poder Judiciário, edificada por Eduardo Ribeiro (1892-1896) e inaugurada em 1900, o qual que tem permanecido cumprindo esse objetivo.

A iniciativa integrou o Programa de Centros Culturais para a cidade de Manaus, ao tempo em que fui secretário de Estado de Cultura (1997-2017), do qual resultaram, também, os centros do Palácio Rio Negro e do Palácio Rio Branco, antigas sedes de poderes constitucionais, cada um com atividades peculiares, visando não só a preservação dos importantes edifícios, mas conciliando as funções e ambientes tradicionais que os caracterizam, ao tempo em que passaram a servir para exposições, cinema, palestras, concertos, lançamento de livros, enfim, ficaram a serviço das artes e das culturas.

Essa nova proposta não impedia que os respectivos poderes – Executivo, Judiciário e Legislativo -, realizassem as ações que lhes são próprias, mantendo as origens de tais edificações. Ao contrário, estávamos sempre empenhados em que isso acontecesse de forma integrada com as atividades artísticas.

O modelo adotado foi o do Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, cujos dirigentes e técnicos, juntamente com a equipe da SEC, desenharam o projeto amazonense, definiram prioridades e encaminharam as bases teóricas que sustentassem a nossa decisão em não desperdiçar e restaurar os prédios do Centro Histórico, o que fizemos, afinal, eles estavam tombados como patrimônio histórico desde 1980.

No caso do CCPJ as tratativas se desenvolveram sob a presidência do desembargador Arnaldo Carpinteiro Péres que sempre esteve entusiasmado com a ideia, e o projeto foi todo voltado para preservar a memória do judiciário amazonense, desde os nomes das salas, o mobiliário usado, a galeria de presidentes, a realização de júri simulado e júri oficial, a recuperação do gabinete do presidente, dentre inúmeras outras ações.

Era emocionante ver que a população frequentava o Centro Cultual Palácio da Justiça não só para participar dos eventos artísticos, mas, também, para observar a bela decoração interior do edifício, o piso em acapu e pau amarelo, os ladrilhos vindos do exterior, os lustres, os estuques, as paredes marmorizadas, as escadarias importadas da Europa, certamente porque a grande maioria jamais havia atravessado as suas portentosas portas.

Deu-se, então, a apropriação desse bem público por grande parte da população e por turistas, fosse para usufruir das belas exposições de arte, da programação musical, dos lançamentos literários, de conferências, como para a sessões fotográficas e cinematográficas para formandos em Direito de diversas faculdades e o registro de casamentos. Ponto relevante foi a dramatização da história do Palácio, com texto de Paulo Feitoza e trabalho criativo de Socorro Andrade e sua equipe, que a todos impressionava.

Depois, fizemos a secção do museu do crime, restabelecemos a Sala de Casamento, como havia funcionado durante anos, e diversos casais realizaram o compromisso matrimonial como antigamente: no Palácio da Justiça.

Para que o leitor possa ter ideia do acesso do público a esse importante Centro Cultural de nossa capital, vale lembrar que em cerca de onze anos de funcionamento sob nossa administração, de sua criação em 2006 até outubro de 2017, foram mais de 200 mil expectadores/visitantes, portanto, o Centro pode ser considerado vitorioso, tal como sucedeu com o Palácio Rio Negro e o Palácio Rio Branco, este último, mais tarde cedido para a municipalidade e que por isso acabou perdendo a função de Centro Cultural.

Visite o Centro Cultural Palácio da Justiça.


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