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Novas políticas habitacionais são desafios

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Caso Mara Lima

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Festival do absurdo e o fanatismo religioso

Por Juscelino Taketomi

No palco tumultuado da vida, onde as toadas do boi-bumbá ecoam entre os becos, houve uma saga que se desenrolou entre paixões e insanidades no último final de semana. Manaus, a cidade que pulsa entre o rio e a selva, foi o cenário onde os folguedos culturais se entrelaçaram com os devaneios dos fanáticos – para ser bem claro, devaneios fanáticos de religiosos inconsequentes.

Mara Lima, levantadora de toadas do Caprichoso, encontrou-se no epicentro de um espetáculo macabro. Armada com uma chave de carro, uma antagonista anônima decidiu que era hora de fazer um remix sangrento das notas do festival. Os motivos? Tudo se resumiu a um simples tecido azul, estampado com as cores do boi campeão do Festival Folclórico de Parintins em 2023.

E deu-se a tragédia. Mara ousou vestir a camisa do Caprichoso, e isso, para a bárbara oponente, era o equivalente a convocar o próprio Apocalipse com Satã executando o concerto macabro. “Tira essa camisa, ela só traz desgraça, camisa do demônio”, gritava a irracionalidade personificada, enquanto desferia golpes contra a vítima. E olhem que a cor da camisa era azul, azul mais que celeste – era a cor do Céu.

A polícia foi chamada, mas o circo do absurdo estava apenas começando. Mara, numa mistura de coragem e ingenuidade, acabou expondo ao mundo o conto bizarro que se desenrolara no asfalto. Afinal, as redes sociais ansiavam por um novo capítulo na saga de insanidades que se costuma idolatrar em grupos do aplicativo Whatsapp, no Facebook, no X ou no Telegram .

Entre vídeos viralizados e manchetes perplexas, eis que o Estado do Amazonas, e quem sabe o mundo, se deparou mais uma vez com o estranho espetáculo do fanatismo. Mara, a vítima inocente, tornou-se a protagonista involuntária de uma peça onde o enredo é tecido pelas mãos selvagens da irracionalidade que diz professar Deus.

Quantas vezes mais teremos que testemunhar esses trágicos desdobramentos do furor fanático? Até quando as paixões obtusas e sem limites serão combustíveis para atos tão insanos? Que cena grotesca é essa, onde a devoção se transforma em violência, e a celebração cultural se torna um campo de batalha?

A violenta Zona Norte de Manaus ficou em choque. Mara Lima virou, de repente, um símbolo involuntário de uma luta maior: a luta contra o fanatismo cego, que não só despedaça corpos, mas também dilacera a alma de uma sociedade que se pretende civilizada.

Entre os acordes do Caprichoso e os lamentos de uma cidade perplexa, Manaus segue seu curso, na difícil espera do dia em que a razão prevaleça sobre a loucura fanática dos prosélitos de religiões amorais, perigosas e inúteis às nobres causas humanas.


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