WhatsApp Image 2023-02-25 at 12.11.51 (1)
A reunião do TRE-AM e os critérios para a realização de pesquisas eleitorais no Amazonas

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Caso Djidja: sinal de alerta para o perigo do fanatismo religioso

Djidja em foto publicada em suas redes sociais

Tristemente, o Amazonas foi palco de um caso trágico que expôs a face mais sombria do fanatismo religioso. A morte de Dilemar Cardoso, conhecida como Djidja, ex-sinhazinha do Boi Garantido, chocou a opinião pública nacional e levantou um urgente sinal de alerta sobre os perigos das seitas religiosas extremistas.

A seita em questão, “Pai, Mãe e Vida”, criada por Cleusimar Cardoso, mãe de Djidja, promovia a ingestão de drogas como meio de alcançar estados espirituais elevados, prometendo a salvação aos seus adeptos.

O desenrolar dos acontecimentos e as investigações policiais revelaram um cenário alarmante que exige uma resposta rápida e contundente das autoridades, incluindo os responsáveis pelos Conselhos de Medicina.

Conforme matéria publicada no Portal Único, Djidja morreu em circunstâncias que apontam para um conjunto de práticas criminosas e abusivas realizadas sob o pretexto de rituais religiosos.

Cleusimar e seu filho Ademar Neto, líderes da seita, foram presos sob acusações que incluem tráfico de drogas, estupro de vulnerável, cárcere privado e charlatanismo, entre outros crimes.

O caso ganhou proporções nacionais, atraindo a atenção da maior rede de TV do país, a Globo, que levará ao ar uma reportagem detalhada sobre o assunto no seu programa Fantástico neste domingo (2).

Durante a prisão de Cleusimar, foram encontradas ampolas de Ketamina escondidas em suas partes íntimas, e a busca na casa revelou uma grande quantidade de remédios e seringas.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cenas perturbadoras de drogadição explícita e surtos psicóticos, evidenciando a gravidade da situação.

“Alcançar a salvação”

O fanatismo religioso, como o evidenciado no caso de Djidja, representa um grave perigo para a sociedade. A seita “Pai, Mãe e Vida” induziu seus seguidores ao consumo de drogas e também os submeteu a abusos físicos e psicológicos sob a justificativa de alcançar uma “dimensão superior” e a “salvação” – algo ridículo.

Essa distorção da fé e da espiritualidade para fins criminosos é um alerta sobre como líderes manipuladores podem explorar a vulnerabilidade das pessoas, levando-as a cometer atos autodestrutivos e a se envolver em atividades ilícitas.

É imperativo que as autoridades tomem medidas rigorosas para evitar que casos como o de Djidja se repitam.

A investigação policial, denominada “Operação Mandrágora”, já revelou aspectos perturbadores das atividades da seita. No entanto, é necessário um esforço contínuo para monitorar e desmantelar grupos que utilizam a religião como fachada para práticas criminosas.

Cabe agora às autoridades implementar uma forte fiscalização sobre grupos religiosos suspeitos de práticas abusivas e criminosas. Urge também promover campanhas educativas que alertem a população para os riscos do fanatismo religioso e a importância de denunciar práticas suspeitas.

Ao mesmo tempo, convém estabelecer programas de apoio psicológico e social para vítimas de seitas religiosas, garantindo que recebam o cuidado necessário para superar os traumas sofridos.

Ao Poder Judiciário e à Assembleia Legislativa do Amazonas cabe revisar e fortalecer as leis que punem crimes cometidos sob o pretexto de rituais religiosos, para que os responsáveis sejam severamente penalizados.

O trágico caso de Djidja serve como um lembrete doloroso do perigo que o fanatismo religioso representa. As autoridades têm o dever de agir de forma decisiva para proteger a sociedade de tais ameaças.

É fundamental que, além das investigações e prisões, haja uma conscientização contínua e um esforço coletivo para prevenir que indivíduos manipuladores abusem da fé e da confiança das pessoas para fins malignos.

As medidas devem ser efetivadas já em nome de uma sociedade segura e justa, onde a espiritualidade seja um caminho de paz e não de sofrimento e tragédia.


Qual sua Opinião?

Confira Também