Candidato a deputado federal do Amazonas passa vexame em Roraima

Caminhoneiro, o candidato tentou atravessar a barreira da reserva Waimiri depois do horário estabelecido pelos indígenas

Policiais Militares de Roraima o impediram, houve bate-boca e ele foi levado para a delegacia

O candidato a deputado federal pelo Amazonas Edmilson Aguiar de Souza (PTB), conhecido como Edmilson Boka, foi detido no município de Rorainópolis, em Roraima, acusado de “desacato” contra policiais militares. Ele prestou depoimento na delegacia do município e argumentou que o desacatado foi ele e foi tratado com “truculência”.
A confusão aconteceu na noite do último sábado (24) quando, dirigindo seu caminhão na rodovia BR-174 Edmilson Boka chegou ao posto fiscal do Jundiá, em Rorainópolis após as 23h e quis atravessar para o lado amazonense, onde a rodovia corta o território dos Waimiri Atroari. Mas o trecho é território indígena dos Waimiri Atroari e toda noite é fechado às 18h30 e só é reaberto às 5h30 do outro dia. Cargas perecíveis podem passar até as 22h.
De acordo com o portal G1 Roraima, o candidato, que é caminhoneiro, chegou à barreira com a esposa e os militares informaram que a barreira já estava fechada.

Gritaria e prisão

Irritado, Boka teria gritado com os policiais em serviço e disse ainda que ninguém poderia impedi-lo de continuar a viagem, pois tinha autorização para passar a qualquer hora na reserva indígena. Os policiais solicitaram a documentação que daria livre acesso ao território indígena, mas ela não foi apresentada. A esposa entrou na confusão e também começou a gritar e ambos receberam voz de prisão.
Foi quando tudo piorou e Edmilson travou luta corporal com os policiais, sendo finalmente algemado e levado para a delegacia do município.

Desacato de um lado e de outro

A esposa do candidato foi detida por desacato e ele por desacato e por falsa identidade, porque teria mentido que é policial militar no Amazonas – mas sua profissão consta apenas como caminhoneiro e com formação em curso superior completo. Foi então que ele se apresentou como candidato a deputado federal do Amazonas e argumentou que não poderia ser preso.
Já em liberdade, Edmilson disse ao G1 que a abordagem foi “desumana” e chamou os policiais de “despreparados”. Ele classificou o caso como “abuso de autoridade”. Ele também divulgou nota alegando que “em nenhum momento desacatei, em nenhum momento me utilizei da função de candidato ou líder dos caminhoneiros”. “Eu já tinha ouvido muitos relatos de abuso de autoridade, mas o que eu passei superou tudo que já me falaram. Espero que tenha sido a última vez que alguém tenha que passar por essa humilhação no Jundiá”, completou.
Em nota, a PM informou que os policiais “agiram pautando-se pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade”.


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