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A importância das hidrovias

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Brasil na OPEP +

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            Os ministros do petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (OPEP), anunciaram o convite para que o Brasil integre o grupo dos países exportadores de petróleo a partir de janeiro de 2024.

A OPEP é um Cartel que reúne os grandes produtores de petróleo. A Entidade foi criada em 1960 com o objetivo de estabelecer uma política comum em relação à produção e venda de petróleo no mundo, seus membros regulares e com poder de influenciar o preço do produto internacional, são os seguintes: Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Venezuela (membros fundadores), já os membros plenos são: Argélia, Angola, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria.

A OPEP+ é uma espécie de grupo expandido da OPEP (membro fundadores + membros plenos) que agrega os seguintes membros: Rússia, Cazaquistão, Bahrein, Brunei, Malásia, Azerbaijão, México, Sudão, Sudão do Sul e Omã que colaboram com inciativas da Organização, mas que não têm direito a voto.

            O convite feito ao Brasil ocorre quando o país registra recordes produtivos de petróleo e gás. Em julho deste ano o volume foi de 4,48 milhões de barris de petróleo equivalente (boe)/ dia. Apresentando crescimento de 18,6% ano a ano, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O Brasil, é hoje o maior produtor de petróleo da América Latina, caso aceite, se tornará o vigésimo quarto membro do grupo e o terceiro da região ao lado de México e Venezuela.

            Segundo a Agência Reuters, “a rápida ascensão do Brasil na indústria petrolífera para se tornar um exportador de petróleo não seria apenas importante para a OPEP, como a sua não-adesão poderia representar uma ameaça para o grupo, com os principais produtores compensando parte do poder da Organização para manter os mercados petrolíferos em equilíbrio”.

            Os interesses brasileiros vão em direção oposta aos planos da OPEP. Enquanto o objetivo do Brasil é de aumentar a produção nacional e se tornar exportador de produto a OPEP pratica o corte da produção para segurar o preço no mercado internacional. Ademais, os maiores exportadores de petróleo do mundo sempre fizeram o máximo para sabotar a agenda climática.

É inaceitável que o mesmo país que afirma ser urgente o limitar do aquecimento global em 1,5°C anuncie sua aliança com o grupo dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Assim, a adesão do Brasil ao seleto grupo da OPEP constitui uma contradição sem precedentes acerca dos interesses nacionais, como produção de petróleo nacional, a intenção de liderar a transição energética, a descarbonização do planeta e a Economia Verde.

Por fim, decisões equivocadas são perigosas e comprometem a liderança brasileira acerca da transição energética, aquecimento global e desmatamento zero. O Brasil quer ser um líder climático que olha para o futuro ou um país dependente de combustíveis fósseis que continua a olhar para o passado?

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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