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Bolsonaro comprovou os valores e práticas da democracia do Brasil

Por: Carlos Santiago

Sociólogo, Analista Político, Advogado e Membro da Academia de Letras e Culturas da Amazônia – Alcama.

Barbárie amazônica, omissões e homenagens

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O Brasil é um país violento, autoritário, patriarcal e com muita exclusão social. Isso é refletido no cotidiano da Amazônia Legal que, atualmente, vive uma barbárie. Violências com mortes bem acima da média nacional, facções criminosas avançam, pobreza extrema é ampla, roubo de riquezas naturais, contaminação de rios por garimpos, fim de culturas milenares, muita omissão e até colaboração de autoridades que concedem comendas ou ganham aplausos diante da barbárie da Região.


Com base no relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o jornal O Globo, edição do último dia 30 de novembro, destacou que a forte presença do narcotráfico fez a violência na Amazônia explodir, “a taxa de mortes violentas intencionais na região é 45% maior do que a média nacional”. Na mesma linha, a Agência Brasil (30/11) usando a mesma fonte de informação, diz que “o Brasil registrou, no ano de 2022, taxa de violência letal de 23,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Nas cidades que compõem a Amazônia Legal, a taxa chegou a 33,8″.


Sobre a violência contra a mulher, a Agência Brasil diz que a “taxa de feminicídio nos municípios amazônicos foi de 1,8 para cada 100 mil mulheres, 30,8% maior do que média nacional (1,4 por 100 mil). A taxa de mortes violentas intencionais de mulheres – incluindo feminicídios, homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – foi de 5,2 por 100 mil mulheres, 34% superior à média nacional, de 3,9 por 100 mil”.


“A violência sexual também apresentou taxas mais altas na região do que no restante do país. Considerando a soma das ocorrências de estupro e estupro de vulnerável, a taxa chegou a 49,4 vítimas para cada 100 mil pessoas em 2022, nas cidades da região. O número é 33,8% superior à média nacional, que foi de 36,9 para 100 mil no mesmo período”, mostra o documento do FSP.


A violência contra povos indígenas é a maior do país. Segundo a Agência Brasil, “a taxa de mortes violentas intencionais de indígenas na região é de 13,1 para cada 100 mil indígenas, segundo dados do Datasus, 11% maior do que a média brasileira, que é de 11,8 por 100 mil indígenas. A taxa de mortes entre indígenas foi calculada com base nos dados mais recentes, que correspondem a 2021”.


Outro aspecto é sobre a existência de facções. A Agência Brasil demonstra que o estudo mapeou a existência de pelo menos 22 facções do crime organizado na região, presentes em todos os estados amazônicos. “Do total de 772 municípios da Amazônia Legal, o relatório identificou ao menos 178 que têm presença de facções, o que representa 23% de todos os municípios da região”.


Com relação à pobreza, a Fundação Getúlio Vargas afirma, segundo o jornal O Globo (08/2023), que as “maiores taxas de extrema pobreza no Brasil, estão na Amazônia, precisamente no Vale do Rio Purus, 39,2% da população registrou, em 2022, renda abaixo de R$ 300”.


Em 2022, os números do IBGE apontam que 45,9% da população da Amazônia vive na pobreza. Com destaque para o estado do Maranhão com 56% da população, Amazonas com 55% dos habitantes, o Pará com 47% e o Acre com 51%, das suas populações.


A contaminação dos rios amazônicos pelo garimpo ilegal não acaba. Em recente laudo da Polícia Federal (PF), os dados revelam que “rios na Terra Yanomami têm 8600% de contaminação por mercúrio”. E, estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que “peixes consumidos nos principais centros urbanos da Amazônia estão contaminados por mercúrio”.


Pois bem. A barbárie amazônica revela-se nos números e relatórios de instituições com credibilidade pública. De forma contraditória, as autoridades omissas ou incompetentes para resolver os problemas continuam ganhando medalhas de Honra ao Mérito nas Assembleias Legislativas ou homenagens nos Tribunais de Contas da Região. Neste cenário de crimes e injustiças, parece restar ao povo votar consciente nas eleições ou gritar um sonoro: “salve-se quem puder”.


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