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2 de julho de 2022
AS POTENCIALIDADES DA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO

Coluna:

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

AS POTENCIALIDADES DA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO

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MICHELE LINS ARACATY E SILVA

A discussão acerca da Economia de Baixo Carbono tem sido cada vez mais frequente em todos os meios de comunicação e por vezes coloca o Brasil bem como a Amazônia como protagonistas desta transição energética.
Então, o que seria Economia de Baixo Carbono? entende-se por Economia de Baixo Carbono os sistemas econômicos que possibilitam baixa emissão de poluentes, ou seja, os gases nocivos, em especial os que emitem carbono, como por exemplo: monóxido de carbono e o dióxido de carbono. Além da redução do Gases de Efeito Estufa (GEE) temos um cenário de ampliação do uso de energias limpas e atribuições de custos aos impactos gerados pela emissão de gases poluentes com o Crédito de Carbono.
A Economia de Baixo Carbono constitui potencial geradora de emprego, renda e desenvolvimento, além de ser um potencial estímulo da transição para um cenário promissor dentro da Economia Verde. Em se tratando de geração de emprego e renda, cabe aqui o recorte acerca dos Empregos Verdes, que ora já são apontados como uma necessidade do século XXI de forma que estes contribuiriam para atender ao tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.
Ademais, de acordo com a OIT estima-se que serão criados até 2030, 24 milhões de novos empregos em atividades ligadas aos Empregos Verdes, em especial, na Ásia e América Latina.
A proposta da Economia de Baixo Carbono é de fazer uso dos recursos naturais de forma racional com foco nas matrizes energéticas e na circularidade dentro dos processos produtivos, tendo como grande aliada a inovação dos processos tecnológicos.
Com o aumento da poluição do ar, do efeito estufa e do aquecimento global nas últimas três décadas, tem aumentado o uso de tecnologias voltadas para a geração de energia de forma limpa. Nesse sentido, muitas empresas detectaram a oportunidade de investirem em negócios rentáveis com o desenvolvimento de produtos ecologicamente sustentáveis e de baixo ou nenhum impacto ambiental, com destaque para os seguintes setores: geração de energia eólica, energia solar e os tão desejados carros elétricos.
Ademais, a criação e ampliação do mercado de comercialização de Crédito de Carbono constitui parte vital neste processo. Nesse sistema, países com maior necessidade de uso de combustíveis de origem fóssil podem adquirir (comprar) créditos de países que reduziram o uso destas fontes energéticas poluentes. Desta forma, as emissões dos gases do efeito estufa podem ser controladas em nível global.
O mercado de Crédito de Carbono é uma das apostas para a geração de renda para o Brasil e contribuiria para frear o desmatamento na Amazônia.
O Tratado Internacional de Paris constitui um importante expoente para a transição para uma Economia de Baixo Carbono. E países como os Estados Unidos já registram retorno nos investimentos, uma vez que setores renováveis são responsáveis por criar 12 vezes mais empregos que outros setores da economia. Ademais, já se registra a redução dos custos iniciais de transição, por exemplo: o custo para a implantação de energia eólica tem apresentado uma redução significativa.
E onde o Brasil se encontra nesse processo? O Brasil acompanhado por EUA, China, Índia, Japão e Alemanha compõe a lista de potenciais países que já geram emprego na área de energia renovável e são alvo dos investidores.
Dada as potencialidades e condições climáticas favoráveis, o Brasil possui potencialidade para assumir uma posição de líder mundial no processo de transição para uma Economia de Baixo Carbono. Uma vez que o Brasil e a Amazônia dispõem de abundância em águas e já faz uso destas para a geração de energia por meio de hidrelétricas, possui posicionamento estratégico que facilita a geração de energia solar quase em todo o período do ano e em todos os estados. Além disso, a costa brasileira e a região do Nordeste são privilegiadas na qualidade dos ventos, facilitando a geração de energia eólica.
Porém, para que possamos aproveitar estas potencialidades, faz-se necessário uma política clara, bem conduzida e direcionada por parte do setor público para que se tenha uma ampliação dos investimentos na economia brasileira para setores de baixo carbono por meio do engajamento de investidores alinhados com as metas de descarbonização propostas pelo Acordo de Paris.
Entre as principais ações governamentais já aprimoradas por outros países e que podem servir de direcionamento para o Brasil e para a Amazônia, destacamos: cobrança de taxas, impostos e tarifas a atividades que utilizam energia oriunda da queima de combustíveis fósseis; incentivos fiscais para empresas que fazem uso de fontes de energia limpa e renovável; incentivos fiscais para empresas que produzem e comercializam produtos com baixa emissão de gases poluentes e por fim, a criação de leis que estabeleçam limites para o uso de fontes de energia com o uso de combustíveis fósseis.
O mercado financeiro também já está despertando para os riscos de se investir em atividades que geram emissões. Já observamos um maior interesse por parte dos investidores em direcionar os seus investimentos para novos negócios alinhados com a sustentabilidade, foco no ESG (Environmental, Social and Corporate Governance).
Observa-se também que empresas sustentáveis já estão superando seus concorrentes em performance. As organizações comprometidas têm melhores margens de lucro, podendo gerar um ROI 18% maior que as companhias que não são comprometidas.
É inegável que a Economia de Baixo Carbono veio para ficar. Nesta nova economia, as empresas eficientes que estão fazendo a transição energética possuem grandes chances de prosperarem uma vez que os seus lucros estão atrelados à diminuição da poluição do ar bem como da redução dos gases de efeito estufa.
Por fim, a Economia de Baixo Carbono é desenvolvimento econômico, potencialidade de geração de emprego e renda com a garantia de um futuro mais sustentável com foco no meio ambiente. É por esse motivo que também é conhecida como a Economia do Futuro.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

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