Artista indígena do Amazonas recebe título de Mestre das Artes

Duhigó retrata o cotidiano dos povos originários em suas telas

Homenagem foi feita pela Funarte, no Rio de Janeiro

Fábio Rodrigues
Especial para o ÚNICO

Brasília (ÚNICO) – A artista visual indígena Duhigó, nascida na aldeia Paricachoeira, em São Gabriel da Cachoeira, região do Alto Rio Negro, no Amazonas, foi uma das homenageadas pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), durante o lançamento de programas de fomento à instituição, feito pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.

A Funarte premiou 50 artistas com o título de Mestras e Mestres das Artes e, entre elas, a amazonense Duhigó. O critério de escolha foi “extensa trajetória em áreas como música, dança, teatro, artesanato, artes visuais e circo”.

Esta é a segunda vez que a artista plástica, que costuma retratar o cotidiano de sua aldeia, recebe esta premiação.

Supresa para Duhigó

O reconhecimento foi uma surpresa para a indígena de 67 anos, do povo Yepá Mahsã (Tukano), que começou a carreira artística aos 48 anos, quando se alfabetizou. “Uma coisa que eu jamais imaginava que aconteceria na minha vida”, declarou.

Os trabalhos de Duhigó retratam principalmente a cultura ancestral da Amazônia na cosmovisão indígena.

“Na minha mente, tem muita coisa que eu posso botar para fora. Às vezes, eu faço riscos, porque quem vai entender o que eu vou produzir daquele risco sou eu. Todos os meus trabalhos surgiram assim”, disse à Agência Brasil para explicar como funciona seu processo criativo.

A artista indígena contou que usou o prêmio líquido de cerca de R$ 70 mil para iniciar o plano de construir um ateliê próprio, em Manaus.

Exposição em Veneza

Neste ano, Duhigó ganhou fama internacional ao ser a primeira artista indígena a expor na “Bienal de Veneza”, três obras de sua autoria. A Bienal ainda está aberta na Itália e vai até novembro deste ano.

Duhigó também foi a primeira artista indígena amazonense a compor o renomado acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), considerado o maior do país.

O MASP tem hoje a obra Nepũ Arquepũ, que significa, na língua Tukano, Rede Macaco e mostra uma cena da memória afetiva da artista: um ritual de nascimento de um bebê do povo Tukano.

Com informações da Agência Brasil e SEC

Artista retrata o cotidiano nas aldeias indígenas (Foto: Divulgação)


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