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 O caso Eneida

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Apaziguando o coração

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Nesse dia de sentimentos à flor da pele, de orações contritas e muitas saudades falando alto e ao qual temos o costume de chamar de “Dia dos Mortos”, ouvi, de viva voz de minha irmã Maria Justina Braga Monteiro, uma das mais belas mensagens que me poderiam ser apresentadas tratando de nosso pai extremado que se encontra encantado entre as estrelas desde 1986 – que é tempo muito -, uma eternidade que fisicamente nos separa.

Foi Mária Justina que se fez professora, assistente social, mãe dedicada, irmã atenta a tudo que se passa entre nós, e que foi filha amorosa, notável estudante e atleta empenhada que retirou de mim o ar de tristeza, dor e saudade que me abatia na manhã deste dia de novembro.

Recolhida que está ao seu canto, depois de festejados oitent´anos com uma juventude que não se acaba, nem esmorece, graças a Deus, e de onde vem escrevendo artigos e crônicas que dão gosto de ouvir e ler, as quais transmitem belas experiências e ensinam a viver com ombridade, Maria Justina reconheceu e proclamou que teve o pai que precisava ter, que a ensinou a ser e a viver a vida conforme os melhores preceitos de honra, trabalho, dignidade e amor. Ouvi atento e emocionado a mensagem que me chegava e invadia as entranhas mais profundas, e, ao final, exclamei meu encanto.

Foi depois… depois de receber esse bálsamo para minha saudade, que desabei no choro silencioso da lágrima doída e me pus a pensar nas verdades – simples palavras recheadas de todas as verdades que do altar do tempo de sua vivência Maria Justina foi capaz de decifrar sobre o seu, o meu, o nosso amado pai Lourenço da Silva Braga -, e que, por certo, bem se poderia dizer de inúmeros outros homens que tiveram a ventura de experimentar a delicada e sublime missão paterna, a mesma mensagem que outros filhos gostariam de dizer de forma tonitruante, ou seja, para o mundo ouvir.

O caro leitor que pensa desta forma, que nutre esse sentimento e não dispõe de meios para expandir as lembranças a respeito dos ensinamentos de seu pai e que agora está habitando o mundo dos anjos e arcanjos no plano da vida espiritual que é eterna, não se contenha, relembre e expanda dentro do seu próprio coração todas as lembranças que carrega desde os primeiros sorrisos que ele lhe ofereceu, as palavras que ensinou a balbuciar, os acalantos que concedeu, o dar de mãos para os primeiros passos, o conduzir pela vida enquanto lhe foi permitido esse fazer. Ainda que não lhe tenha sido possível levá-lo de braços dados por mais longe no tempo da passagem terrena, esse tempo que lhe foi permitido é eterno e se encontra gravado em você.

Pense, reveja, recupere esses momentos e se nutra do amor com que ele lhe ofereceu o beijo e a benção; ouça e reouça os conselhos que ofertava; sinta e ressinta o vigor da presença que representava segurança e paz; volte-se para seu interior e certamente sentirá a sua presença, ouvirá a sua voz, perceberá o seu sorriso, receberá a sua benção. Não tema o silêncio que parece existir entre você e seu pai da mesma forma que não temo o que parece existir em relação ao meu amado pai, pois a separação física e a aparente distância dos corpos são supridas pela relação umbilical dos espíritos.

Ao se dar a esta revivescência que será luz em seu caminho, a ternura vai envolver sua alma, e, como por encanto, estará a ver e sentir a presença do seu pai, a ouvir sua palavra e a perceber que as lições que ele lhe transmitiu calaram fundo no seu coração e o ofereceram a rota perfeita para a sua caminhada nessa experiência de aprendizado da passagem terrena.

Creia que assim será porque esses laços são se rompem. Apazigue seu coração dessa saudade que não passa.


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