AO VENCEDOR AS BATATAS

A eleição para Mesa Diretora da Câmara Municipal de Manaus será a grande oportunidade para avaliar e qualificar a postura dos nossos representantes em relação à grandeza do mandato delegado nas urnas focado na construção coletiva de um Plano Diretor da Cidade que contemple o bem-estar e a justiça social, fazendo valer autonomia do poder legislativo municipal amparado pelo poder soberano da vontade geral dos manauaras contrário à compra de votos para garantir uma bancada subalterna aos interesses da Prefeitura Municipal.

Ademir Ramos*

Na combatividade das lutas sociais aprendi que vencer ou perder é um acidente. Necessário mesmo é sustentar o ânimo, a coragem, a determinação dos aguerridos companheiros que marcharam e marcham contigo contra os exploradores, dominadores, saqueadores, os convertidos que se locupletam da riqueza do erário público prometendo pão e trabalho para os excluídos, não para libertá-los, mas, para reduzi-los a servidão visando o controle e mando do poder de Estado para fins particulares. Na cultura desse coletivo da periferia, das comunidades, das ruas, dos despossuídos sem trabalho e teto, o menos vale mais, quando consegue ver com clareza o rosto do seu oponente marcado pela ganancia do ter mais e assim fazendo, passa a julgá-lo severamente pelo não cumprimento das demandas populares. O poder dominante não é um lugar estático ele se move pelas mãos dos políticos e também pelo aceite de algumas lideranças sociais e comunitárias corruptas. Por esta razão faz-se presente nas comunidades espalhando a cizânia, a mentira, o disse-me-disse para desqualificar determinadas lideranças que exerçam sua cidadania crítica contra os políticos corruptos e malfeitores. Ao vencedor as batatas. O necessário é lutar pela afirmação do Direito dos excluídos combatendo a desigualdade social e a corrupção dos recursos públicos, fortalecendo os movimentos e as organizações populares contrários a subordinação da Câmara aos apetites do Poder Executivo Municipal. De olho na conduta imoral dos vereadores sabujos que descaradamente sem nenhum pudor passam a se oferecer ao Prefeito eleito comportando-se muito pior do que as cortesãs palacianas. Mal sabem eles que os movimentos sociais por meio de suas lideranças populares estão criando grupos nas redes de computadores para exercerem o controle social das práticas daqueles que foram eleitos com aval de suas comunidades.

*É professor, antropólogo, coordenador do projeto jaraqui e do NCPAM do Dpto. de Ciências Sociais da UFAM.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *