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2 de julho de 2022
Amazônia e o desafio da economia verde

Coluna:

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Amazônia e o desafio da economia verde

Amazônia

Michele Lins Aracaty e Silva

Atualmente, a discussão acerca da Economia Verde vem ganhando espaços cada vez mais variados nos meios de comunicação bem como nas pautas dos gestores públicos. Destaca-se aqui que a gênese conceitual da Economia Verde que tem como origem o Relatório de Brundtland, também conhecido como “Nosso Futuro Comum” de 1987, e que ganhou reforço nas discussões na Conferência Rio + 20, em 2012.
Depois da Rio + 20, a expressão “Economia Verde” foi absorvida por governos, empresas e pela sociedade civil, e empregada na formulação e execução tanto de políticas públicas quanto na iniciativa privada, nesta última, com foco na responsabilidade socioambiental.
Ainda sobre a definição de Economia Verde, devidamente apresentada pelo PNUMA- ONU em 2011, resulta em: “melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica”. Ela tem três características principais: baixa emissão de carbono, eficiência no uso de recursos e busca pela inclusão social.
A fórmula para uma Economia Verde inclui: oferta de empregos, consumo consciente, reciclagem, reutilização de bens, uso de energia limpa e valoração da biodiversidade. Espera-se que seus resultados proporcionem uma melhor qualidade de vida para todos, diminuição das desigualdades entre ricos e pobres, conservação da biodiversidade e preservação dos serviços ambientais.
Ademais, para entender a Economia Verde necessitamos nos debruçar na definição clássica de desenvolvimento sustentável: “o qual constitui no desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades e constitui uma busca clara pela igualdade entre gerações. Em relação à igualdade entre gerações, sob o prisma da sustentabilidade, tem-se que cada geração deve ter o mesmo bem-estar, ou a mesma igualdade de oportunidades que as demais.
Em termos do meio ambiente, não deve haver uma deterioração desse que impeça uma geração de alcançar o mesmo bem-estar que uma geração anterior. Logo, a preservação do meio ambiente surge como uma forma de evitar o aumento da desigualdade entre gerações. Isso não quer dizer que defendemos a preservação a qualquer custo, mas é necessário que haja critérios que norteiem o uso racional das riquezas ambientais de forma sustentável.
Para tanto, a transição para uma Economia Verde pode ser feita tanto por países ricos quanto por países pobres, uma vez que se enxerga a possibilidade de gerar desenvolvimento socioeconômico a partir das riquezas naturais e da sustentabilidade, sem se estruturar sob práticas predatórias convencionais.
Segundo a ONU, a Economia Verde constitui um modelo econômico atrativo e promissor, sendo capaz de gerar um acréscimo de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030 e com potencial de geração de 2 milhões de empregos.
E como podemos contextualizar a Amazônia com a sua rica biodiversidade com foco numa Economia Verde mais inclusiva? É fato que a modelo econômico instituído na Amazônia bem como os vários ciclos de riqueza foram historicamente destinados ao mercado internacional e vale ressaltar que os produtos aqui explorados foram destinados à exportação com pouco ou nenhum valor agregado, proporcionando riqueza no destino e não na origem.
A Economia Verde apresenta-se como uma oportunidade e coloca grandes desafios a serem enfrentados para que a Amazônia possa se inserir nesse novo e promissor modelo econômico. Para tanto, contamos com a ajuda da ciência, da tecnologia bem como da inovação para que juntas possam contribuir para a geração de uma economia muito mais rentável, competitiva e preservacionista em relação à economia tradicional, que constitui uma prática predatória.
Na outra ponta desta relação estão os investimentos, que devem ser direcionados através de ações coordenadas entre o setor público, privado e institutos de pesquisa para que essa geração de conhecimento ganhe escalabilidade e contribua de forma efetiva para o avanço da Economia Verde. Como por exemplo, os produtos destinados à indústria de perfumaria e cosméticos, uma vez que o mercado nacional cresce a dois dígitos e essas áreas consomem baixos volumes de materiais à preços compensadores.
Neste novo modelo econômico, os consumidores também contribuem e estão ávidos por consumirem produtos produzidos de forma sustentável. Ademais, procuram ser conhecedores das ações ligadas às empresas bem como acompanham a sua imagem frente às questões sociais e ambientais, querem conhecer o impacto positivo desta empresa e do produto por ela oferecido.
Não nos resta dúvida de que o Brasil tem a possibilidade de ser protagonista dessa agenda em nível global com destaque para a Amazônia e sua rica biodiversidade. Cabendo a todos nós a identificação de caminhos efetivos para transformar todo esse potencial econômico em negócios rentáveis e sustentáveis.
Por fim, é inegável que a Economia Verde representa uma mudança de paradigma e nos possibilita a exploração dos produtos da floresta com agregação de valor, geração de emprego e renda e preservação ambiental podendo contribuir de forma direta para a redução do desmatamento ilegal que hoje constituiu um desafio para o Brasil e para a Amazônia.

Michele Lins Aracaty e Silva, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do COR

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