Amazonas lidera ranking de furto de energia no país

As ligações clandestinas superam em mais de 100% as regulares

Negociação da concessionária pode tirar a empresa do buraco

Solange Elias
Da redação do ÚNICO

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica divulgou um levantamento, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostrando que o volume de energia elétrica roubada no Brasil bateu recorde no ano passado.

E o estado do Amazonas é onde existe o maior número de ligações clandestinas em todo o país, superando em mais de 100% as ligações regulares. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, nesta terça.

Os famosos “gatos”

Os “gatos”, como são conhecidas as chamadas “perdas não técnicas”, são ligações clandestinas em que um morador faz uma ligação por meio de cabos e fios, diretamente da fiação dos postes da rua, desviando a energia elétrica, sem pagar as concessionárias.

De acordo com nota da Associação, são os consumidores mais pobres os que recebem o maior impacto do roubo de energia elétrica. Isso porque o furto de energia entra no cálculo da tarifa e o aumento é distribuído para todos os consumidores regulares. Com menos recursos, os mais pobres veem as contas aumentarem sem aumentar seu consumo.

Recorde em 2023

Segundo a Associação, em 2023 a quantidade de energia elétrica furtada (em todo o país), chegou a 40,78 TWh —20% a mais do que o registrado em 2022, de 34,15 TWh. Em 15 anos, o acumulado supera 500 TWh, ou 500 milhões de MWh.

A região Norte é a de maior incidência de furtos: de toda a energia de baixa tensão fornecida em 2023, quase metade (46,2%) foi furtada.

E no Amazonas, as “perdas não técnicas” representam 117,8% a mais do que é fornecido para os consumidores regulares, ou seja, mais que o dobro do que é consumido vai para os ladrões de energia.

Venda da Amazonas Energia

A concessionária Amazonas Energia apontou, por vários anos seguidos, o excesso de “gatos” no Estado como um dos maiores problemas enfrentados pela companhia. Ou seja, receita era incompatível com os investimentos o que causou sérios prejuízos e uma situação praticamente irreversível à concessionária.

Tanto que o Governo Federal já havia alertado para o possível encerramento precoce da concessão à Amazonas Energia, dentro do chamado “processo de caducidade”.

Salvador da pátria

Nesta segunda, o Brazil Journal – veículo especializado em informações do mercado, economia, empresários e empreendimentos – publicou que a holding J&F está em negociações com a Eletrobras para comprar um conjunto de térmicas a gás, pelo valor de R$ 4,7 bilhões.

Como parte do acordo, a Eletrobras quer transferir a dívida da Amazonas Energia para a J&F receber, caso se interesse em “incorporar” a empresa que atende o Amazonas.

Resumindo, a Eletrobras vende o que é rentável — as térmicas — e passa adiante o que está sofrível, para o novo comprador tentar receber, uma vez que a estatal já desistiu porque a empresa apresenta problemas desde 2007 e tem uma dívida de mais de R$ 6 bilhões.

Mudança de titulares

As fontes do Brazil Journal garantem que os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, ficaram interessados na proposta. Dessa forma, a Amazonas Energia pode deixar de assinar Oliveira – do empresário Orsine – e passará a assinar Batista.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *