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O naufrágio da Humanidade – parte 2

Por: Augusto Bernardo Cecílio

Auditor fiscal e professor

A volta das queimadas

O aumento das temperaturas no Mundo é uma realidade incontestável. Furacões, tsunamis, enchentes, falta d’água, seca excessiva, desertificação são algumas das consequências visíveis desse processo. Fenômenos cada vez mais intensos e constantes que dão uma nova conformação à relação homem/natureza.

Debruçados sobre as possíveis causas para esses fenômenos, os pesquisadores são unânimes em afirmar que a floresta amazônica tem um papel fundamental na regulação do clima mundial. Somente por esta razão, o Brasil já deveria estar, há muito, ocupando uma posição de destaque em relação às demais nações do Planeta tanto no aspecto das pesquisas voltadas para o conhecimento da nossa biodiversidade como também em relação à garantia de preservação das nossas florestas. No entanto, um componente ameaça essa condição: o fogo.

A perda de floresta, gerada pelo processo avassalador de desmatamento e a queima criminosa, leva para a atmosfera uma quantidade descomunal de gases poluentes. Gera poluição! Esta mesma poluição que, inclusive, pode ser sentida e respirada pela população de Manaus nos meses de setembro e outubro, quando se intensifica o calor do verão amazônico, e milhares de hectares de florestas põem-se a queimar, deixando de cumprir o seu ciclo natural e o seu papel de sequestradora de Carbono, passando a ser fonte de propagação de poluentes que contaminam e matam.

Todo e qualquer esforço realizado no sentido de mudar esse quadro é bem-vindo, louvável e urgente. No âmbito da cidade de Manaus bem como nas sedes dos municípios, temos visto e sentido os efeitos dos grandes focos de queimadas registrados no Interior do Amazonas e outros Estados da região. Aqui, na cidade de Manaus, a cultura da queima dos resíduos ainda persiste, com o agravante das invasões onde o fogo é utilizado como meio mais eficaz e rápido de destruição.

As invasões, que muitas vezes se multiplicam nas proximidades das eleições, devem ser encaradas e tratadas como crime, tanto ambiental quanto no sentido da agressão ao direito do verdadeiro proprietário, que muitas vezes é o próprio estado ou município. Por outro lado, ainda é muito lento o processo de brecar a ocupação irregular, bem como a devida reintegração de posse. Neste espaço de tempo, a destruição já foi feita, sem que os culpados sejam punidos.

O acompanhamento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos permite, em tempo real, saber onde estão e quantos são os focos de queimadas, principalmente aqueles que produzem nuvens gigantescas de fumaça que estacionam sobre nossa capital Manaus.

Campanhas estratégicas como as de sensibilização e formação de agentes multiplicadores são uma maneira eficaz de se atingir essa meta de mudança de comportamento. No âmbito das políticas municipais, o atendimento de denúncias registradas junto aos órgãos ambientais e a parceria efetiva com o Corpo de Bombeiros são fundamentais para o combate.

Dentro dessa premissa, estreitar a relação entre os órgãos e dar-lhes condições de agir de forma integrada configuram estratégias exitosas de atuação. Acredito num trabalho articulado que permita debelar grandes focos, contando com o apoio da Polícia Militar para garantia dos nossos bravos combatentes.


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