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Mineração Sustentável é possível?

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

A potencialidade do Curauá

Curaua

Há tempos ouvimos que o Brasil, especialmente a Amazônia, têm potencial para liderar a corrida pela Sociobioeconomia ou Economia Verde através das inúmeras cadeias de produtos regionais ligados à Bioeconomia Amazônica (SILVA, 2023).

No aspecto regional, em relação ao estado do Amazonas a Bioeconomia tem sido explorada com o propósito de fazer uma ponte entre os produtos da biodiversidade amazônica e o modelo Zona Franca de Manaus alterando um cenário em que o PIM faz pouco ou quase nenhum uso dos produtos regionais nos seus processos produtivos.

Através de pesquisas oriundas de instituições locais ligadas à biotecnologia, identificou-se que a fibra do Curauá tem potencial para suprir a demanda do setor industrial por matérias-primas sustentáveis, resistentes e com possibilidade de uso em várias fases da cadeia devido à sua versatilidade.

O Curauá (Ananas erectifolius) é uma planta fibrosa encontrada na região Amazônica, no Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana Francesa, é da família do abacaxi, cresce em clima úmido e muito quente, chegando à altura de 1,5 metro (EMBRAPA, 20027).

A fibra extraída de suas folhas é muito resistente, macia, leve, reciclável e biodegradável. É quatro vezes mais resistente que a fibra do sisal e dez vezes mais resistente que a fibra de vidro, podendo ser usada na fabricação de caixas d’agua, em revestimento de casas e colunas (propriedades térmicas), vigas resistentes a terremotos, na indústria têxtil e na indústria automotiva (em capô de carro) (EMBRAPA, 2007).

O Curauá é uma planta que apresenta resistência às pragas e doenças e um grau de rusticidade que lhe confere tolerância às condições edafoclimáticas desfavoráveis, indicando fortes vantagens comparativas para a exploração por agricultores familiar.

O cultivo do Curauá reúne reais possibilidades de promover o desenvolvimento regional sob o enfoque da sustentabilidade além de conferir vantagens competitivas dinâmicas à agroindústria (diferentemente das vantagens espúrias), capazes de inseri-la num mercado global.

Por fim, a cultura do Curauá apresenta elevado potencial de rentabilidade e consequentemente de viabilidade econômico-financeira indicando que a cultura pode ser implantada sem prejuízos para o investidor e que esses resultados se equiparam aos de cultivos tradicionais.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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