A política da guerra

É fácil chamar os outros de louco ou de burro, só que isso não ajuda em nada a entender o que estamos vivendo. Pior. É uma maneira de dizer que não há nada para entender, é uma maneira de se desobrigar de pensar. E desobrigar de pensar é um dos grandes objetivos. Não bastasse isso, o xingamento das políticas: a guerra do bolsonarismo se apresenta como não político. O xingamento diz que o atual governo de fato funciona seguindo outra lógica que não o da racionalidade política. O xingamento também retira do governo a responsabilidade por seus atos e palavras: burros e loucos não podem ser responsabilizados pelas suas burrices e loucuras que falam e que cometem, é tentar tirar a culpa do próprio colo e jogar no colo alheio, é justamente o jeito do governo de fazer política.


Segue a mesma lógica ilusória da despolitização: onde há culpado de ser abatido. E quem é politicamente responsabilizado deve apenas perder as eleições e capacidade de governar não deve ser eliminado. Se esse é o burro louco, está para nascer o sabichão equilibrado. Essa cultura política segue a lógica da guerra e a cultura da morte que a acompanha. Quando a política se torna guerra, só o que existe é uma luta de vida ou morte, em que apenas um lado pode sobreviver. A política da guerra inviabiliza a convivência democrática, em suma. Serve perfeitamente o objetivo principal que é destravar a democracia.

E na pandemia a política da morte destrói vidas. O governo poderia ter tomado a crise sanitária como uma oportunidade para aumentar significativamente sua popularidade, é importante entender porquê não o fez. E aqui algumas comparações podem ajudar. A ausência de soluções simples, são sinônimo de ausência de soluções. E, ao contrário, o que talvez nos permita pensar um pouco mais adiante também. Um adiante que possa significar deixar para trás a política como guerra.

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