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Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

A luz e a força da música popular na revolução portuguesa de 1974

No dia 25 de abril de 1974, no amanhecer daquela primavera revolucionária, Portugal acordou diferente, despertou sob o cântico da liberdade, uma sinfonia entoada por vozes corajosas e corações determinados, dispostos a encerrar o reino de terror de uma maldita ditadura de 48 anos, a ditadura de Antônio de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.

Em julho de 2023, em um restaurante de Manaus, a poetisa Tarciana Portella contou-me sobre sua emoção naquele 25 de Abril. Ela tinha 15 anos de idade e residia na cidade do Porto, onde viveu aquele dia realmente mais que especial, uma aurora tingida com os tons vibrantes da esperança, onde as notas da música popular se tornaram os acordes da mudança, os motores do processo transformador.

“E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, ressoou como um hino que transcendia o espaço entre as paredes da opressão e os anseios por liberdade. Foi o sussurro que se tornou grito, a senha secreta que desencadeou uma onda imparável de mudança.

E nas ruas, ecoava “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, um canto de resistência, uma prece entoada aos céus de Portugal pelos que buscavam um amanhã luminoso para suas vidas.

Nesse cenário de efervescência cultural e política, pode-se afirmar o papel da música como o fio condutor que uniu as vozes do povo, os anseios de uma nação oprimida. Cada nota, cada verso, era uma promessa de um novo horizonte, uma promessa que se cumpriu quando os cravos vermelhos floresceram nas armas de capitães e soldados, substituindo o medo pela esperança, a opressão pela liberdade.

E, evidentemente, não podemos esquecer a contribuição além-mar, já em 1975, quando os versos de Chico Buarque ecoaram com a mesma intensidade, inspirando corações a pulsar em uníssono pela causa da liberdade. “Tanto Mar”, uma ode aos cravos da resistência vitoriosa, encontrou pleno eco nas mentes e nos corações lusitanos, fortalecendo os laços de solidariedade entre os povos irmãos.
“Foi bonita a festa, pá, fiquei contente,
E, enquanto estou ausente,
Guarda um cravo para mim.
Eu queria estar na festa, pá,
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim”.

Assim, ao som da música, os portugueses encontraram coragem para desafiar a tirania, para enfrentar os grilhões do passado e abrir as portas para um futuro de grande esperança. E hoje, cinquenta anos depois, as melodias da revolução ainda ecoam em tantos corações, lembrando que a liberdade é uma conquista constante, uma canção que jamais deve ser silenciada e jamais deve acabar.

Que o 25 de Abril seja sempre celebrado como um tributo à coragem daqueles que ousaram sonhar com um mundo melhor, um mundo onde a música é mais do que entretenimento, é uma arma de transformação, sim, uma voz que rompe séculos, inspirando-nos a lutar por um futuro onde todos possam cantar e viver livres e em paz.

Em 25 de Abril de 1974 nós todos sonhamos, em Portugal, no Brasil e certamente em outros lugares do mundo. E como foi lindo sonhar ! O sonho sempre gera a beleza da luta redentora.


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