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Infraestrutura é essencial para o desenvolvimento econômico

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

A importância das hidrovias

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Hidrovias são canais que possibilitam o deslocamento de indivíduos e mercadorias e facilitam a navegação de grande porte com baixo custo e perdas reduzidas.

Apesar de serem pouco exploradas economicamente no Brasil as hidrovias são utilizadas como vias de transporte desde a antiguidade e ao serem comparadas com outros modais apresentam vantagens.

Ainda no contexto nacional, mesmo tendo o equivalente a 4 mil quilômetros de costa atlântica navegável e milhares de quilômetros de rios, o sistema hidroviário é o que apresenta a menor participação no transporte de mercadorias em relação aos demais modais disponíveis.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT, 2019), o país desperdiça um enorme potencial hidroviário ao subutilizar os rios navegáveis de suas 12 regiões hidrográficas. Atualmente, dos 63 mil quilômetros que poderiam ser utilizados, praticamente dois terços não são. O transporte hidroviário no país aproveita comercialmente (para cargas e passageiros) apenas 19,5 mil km (30,9%) da sua malha. 

Ainda para a CNT, os recursos direcionados ao setor não têm sido suficientes para garantir maior oferta de serviços e melhor qualidade infraestruturais. De 2001 a 2018, o valor máximo foi aplicado em 2009: R$ 831,79 milhões. Mas, de 2009 a 2018, houve queda significativa, e o investimento efetivamente pago diminuiu quase 80%, chegando a R$ 173,70 milhões (em 2018). O último Plano da CNT de Transporte e Logística indica que o investimento mínimo necessário para a navegação interior no Brasil corresponde a R$ 166,4 bilhões, em 367 projetos (CNT, 2019).

Entre as vantagens do modal, podemos destacar: baixo impacto sobre o meio ambiente, segurança e maiores capacidades de carga. E as desvantagens: tempo de duração das viagens, baixa velocidade, necessidade de interligação entre as hidrovias, probabilidade de acidentes e derramamento de combustíveis, alta dependência das condições climáticas e geográficas favoráveis e a baixa flexibilidade de rotas e horários.

Um estudo realizado pelo IPEA (2014), levantou dois grandes gargalos em relação à exploração econômica das hidrovias no Brasil: o primeiro gargalo está pautado na análise institucional onde constatou-se uma sobreposição de documentos (planos e programas) e de instituições (ministérios e secretarias) o que trava a execução das atividades do setor.

Outro ponto levantado pelo IPEA é a necessidade da ampliação de estudos e diagnósticos do setor para que estes possam embasar o investimento público e privado e mesmo sensibilizar as autoridades a decidirem acerca do volume a ser investido via alocação de recursos. “Se há insegurança em tomar decisões e incertezas acerca do retorno do investimento não há priorização” (2014).

Os rios com maiores potencialidades de navegação (navegáveis) encontram-se na região amazônica e por estarem geograficamente longe dos grandes centros urbanos são os menos explorados economicamente.

 As hidrovias na Amazônia atendem à necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental preservando hábitos e costumes regionais que antecedem à chegada dos colonizadores à região.

Por fim, no contexto amazônico, os rios têm enorme importância para o desenvolvimento econômico e social e constituem agente propulsor do desenvolvimento sustentável.


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