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Cidades-esponja: adaptação à crise climática

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

A importância da mulher na economia

Mulheres

No mês dedicado à mulher, teremos merecidas homenagens a esta figura tão presente na vida de todos e que contribui para gerar impacto positivo sobre a economia através dos seus hábitos, do consumo, nas decisões de compra, do seu protagonismo, da forma como empreende e da sua liderança no mercado em todas as áreas de atuação.

À nível internacional, tomando como base um estudo coletivo realizado entre: o Banco Mundial, as Nações Unidas, o Monitor do Empreendedorismo Global dentre outras instituições internacionais, reconhecem as mulheres como “os grandes motores da economia”.

Ao longo do documento, levantou-se números relevantes sobre a importância da mulher para a economia internacional cabendo a nós os seguintes destaques: no mundo, as mulheres desempenham 66% de todo o trabalho, contribuem para produção de 50% de toda a comida, são donas de 1 a 2% das propriedades, mas recebem apenas 10% do rendimento; globalmente, as mulheres representam 49,6% da população mundial e apenas 40,8% da mão de obra do setor formal; as mulheres dominam o mercado global, controlando os US$30 trilhões de gastos em consumo.

O estudo chama a atenção também para os gargalos a serem superados pelas mulheres: fora do setor agrícola, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento, as mulheres continuam recebendo menos de 78% do salário pago a um homem pelo mesmo trabalho; mulheres e meninas sofrem desproporcionalmente do fardo da pobreza extrema – constituem 70% dos 1.5 bilhões de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia.

Complementarmente, alerta que a redução da lacuna existente entre a taxa de emprego masculina e feminina teria enormes implicações na economia global, aumentando o PIB dos EUA em mais de 9%, da Zona do Euro em mais de 13% e do Japão em mais de 16%.

Para os dados nacionais, destacaremos um estudo do IBGE intitulado: Estatística de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil. Segundo o estudo, elas são a maioria da população brasileira (51,1%) e em 48,7% dos lares respondem como “chefe de família” ou com maior participação na renda familiar; as mulheres respondem por 54,5% do nível de participação na força de trabalho. No mercado de trabalho, as mulheres sem filhos são as que mais ocupam cargos 67,2% em relação às mulheres com filhos, 54,6%.

No Brasil, a força de trabalho feminina é mais escolarizada que a masculina, mas as desigualdades salariais não acompanham esta realidade, temos que: 29,7% das mulheres entre 18 a 24 anos possuem nível superior em relação a 21,5% dos homens.

 Chamamos a atenção para o percentual de mulheres docentes no ensino superior: se levarmos em consideração o recorte histórico que vai de 2003 a 2019, o avanço percentual foi de 43,2% para 46,8%.  Ademais, o número de discentes mulheres também vem apresentando avanço nos últimos anos e em alguns cursos elas são a maioria.

 Apesar da elevada escolarização, elas lideram os índices de desemprego no país, 14,9% dos brasileiros em idade produtiva e que estão desempregadas são mulheres, os homens representam 12%.

 Em relação à vida pública e à tomada de decisão, à nível nacional, apenas 16% dos cargos de vereador são ocupados por mulheres e elas ocupam apenas 37,4% dos cargos de gerência.

  Já em relação à eterna polêmica da divisão das tarefas domésticas, os números mostram que mulheres com rendas baixas dedicam mais tempo aos afazeres domésticos (21,1 horas) em relação às que tem renda mais elevada que podem contratar ajuda para o desempenho das atividades do lar (18,2 horas).

Acerca do empreendedorismo feminino que na maioria das vezes chega a partir dos desafios impostos pela maternidade e da necessidade de conciliar a dupla jornada de mãe e trabalhadora. Na maioria das vezes, para as empreendedoras a maternidade acaba sendo uma força singular em busca de melhores condições de trabalho, oportunidades e flexibilidade para acompanhar o desenvolvimento e a educação dos filhos.

Por fim, cabe a nós o eterno reconhecimento da relevância da mulher para as famílias, na educação dos filhos, como empreendedora e para a economia como um todo não esquecendo que a realidade ainda é de desigualdade e de falta de oportunidades.

O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do ÚNICO


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